quinta-feira, 16 abril , 2026

Após vazamento, conduta de Moro será julgada pelo STF e o Congresso

Existe a máxima de que político desgastado não pode aparecer em estádio de futebol. Em meio à crise provocada pela divulgação, pelo site The Intercept, de conversas com procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, vestiu, na semana passada, a camisa do Flamengo no Mané Garrincha, na partida contra o CSA. Foi aplaudido. Passou no teste de popularidade. Mas a grande prova ainda está por vir.

Enquanto os diálogos dos chats do Telegram de Moro e de procuradores são publicados a conta-gotas pela equipe do jornalista Glenn Greenwald, Moro precisa sobreviver politicamente numa arena ainda mais hostil que o campo de futebol: o Congresso Nacional. Nesta quarta-feira, está prevista uma sabatina ao ex-juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Moro aceitou um convite para falar sobre a suposta colaboração indevida ao trabalho dos procuradores de Curitiba.

A audiência foi marcada por sugestão do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, e anunciada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O líder ressaltou que a iniciativa de esclarecer os fatos partiu do próprio Moro. Mas é certo que esta foi uma opção política.

O Senado é considerado um ambiente mais sóbrio, diferente da Câmara. Lá, o ministro da Justiça terá condições de argumentar sem tantos constrangimentos. “O Senado é mais ponderado, mais experiente. O ministro Moro vai se sair bem”, acredita o vice-líder do governo no Senado, Izalci Lucas (PSDB/DF). Ele ressalta que a iniciativa de participar da audiência foi positiva porque, se Moro não se oferecesse para prestar esclarecimentos, poderia ser convocado, o que representaria um constrangimento.

Se tudo correr dentro do script do governo, Moro pode interromper o processo de criação de uma CPI para tratar do assunto, que está sendo chamada de “Vaza-Jato”. Também está agendada uma audiência na Câmara dos Deputados, em 26 de junho, um dia depois do julgamento na 2ª Turma do STF que definirá o destino do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A principal força de Moro é a aprovação popular à Lava-Jato. Por isso, o desempenho dele no Congresso pode definir a própria permanência no governo Bolsonaro, carimbar a nomeação para o Supremo Tribunal Federal e ainda rejeitar ou não a tese de ativismo político contra Lula no caso da denúncia do tríplex do Guarujá.

Um importante magistrado que conhece os bastidores no Judiciário disse ao Correio que o desfecho já está sacramentado. Segundo ele, pelo que já veio à tona, Moro perdeu a condição de exercer a função de ministro da Justiça e virou um “fantasma”. Por isso, a chance de o STF declarar a suspeição de Moro também seria grande.

A 2ª Turma do STF vai retomar o julgamento de um habeas corpus em que a defesa do ex-presidente Lula aponta a suspeição de Moro no caso do tríplex.  O argumento central era o fato de Moro ter aceitado o cargo no governo do principal adversário do PT. Agora, o bombardeio ganhou munição, com as conversas vazadas pelo The Intercept. Num dos últimos diálogos atribuídos ao então juiz, ele se refere à atuação da defesa do petista como “showzinho” e pede ao Ministério Público Federal a divulgação de uma nota para esclarecer pontos obscuros da audiência em que Lula foi ouvido na 13ª Vara Criminal.

O julgamento teve início em dezembro de 2018, mas foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, quando o placar contava dois votos contra o habeas corpus. O relator, Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia se posicionaram contra o pedido de suspeição. Atualmente, a aposta entre petistas é de que o voto decisivo seja do decano, Celso de Mello, que deverá desempatar para um dos lados. Gilmar e Ricardo Lewandowski são considerados votos certos pela nulidade da condenação de Lula.

Na avaliação do juiz Daniel Carnacchioni, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), sempre é possível que, num julgamento colegiado, magistrados mudem o voto mesmo depois de proferidos, quando há um pedido de vista. “É muito difícil ocorrer. Mas nada impede que um ministro altere o voto, principalmente com um cenário novo”, afirma.

Torcidas

Na CCJ do Senado, Moro será recebido por senadores investigados e denunciados pela Lava-Jato. É o caso, por exemplo, de Renan Calheiros (MDB-AL), que tem usado as redes sociais para atacar Moro. “Essa polivalência do Sérgio Moro (investiga quem quer, coordena acusação, vaza seletivamente, pede nota ao MPF, condena sem prova…). É a falência do sistema judiciário”. E acrescentou: “Tão óbvio que dispensa o VAR”. Na lista dos alvos da Lava-Jato que podem interrogar Moro, estão também os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Humberto Costa (PT-PE).

É justamente no campo das torcidas que o governo Bolsonaro tenta levar o debate, numa divisão entre os que apoiam ou querem desacreditar os trabalhos da Lava-Jato. Por causa da aprovação do combate à corrupção, atacar Moro e os procuradores de Curitiba pode ser um mau negócio. Mas a popularidade de Lula e a repercussão do conteúdo das conversas entre Moro e os procuradores são gigantes.

Por isso, o governo trabalha por uma polarização entre os que são contra e a favor do combate à corrupção. “A população tem a Lava-Jato como uma mudança de rumo, e Moro é o símbolo. Ele tem enfrentado uma organização criminosa barra pesadíssima, de peito aberto e cara limpa”, afirma a deputada Bia Kicis (PSL-DF). Segundo a parlamentar, Bolsonaro já deu sinais de que apóia Moro e não abrirá mão de sua permanência no governo. No meio político, a aposta é de que rifar Moro seria uma vitória do petismo e do ex-presidente Lula, tudo o que Bolsonaro não deseja.

Moro vai à CCJ com o risco de ser surpreendido com novos vazamentos. Mas, para o senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE), que integra a comissão e defendeu a criação da CPI da Lava-Toga, é praticamente impossível atestar a autenticidade das mensagens. “O produto de um hacker não é auditável. Só se chega à autenticidade se a própria vítima confirmar”, avalia.

Experiente no mundo político, o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel acredita que o mais importante neste momento é descobrir quem invadiu os chats de autoridades públicas. “Não há razão nenhuma para se considerar como relevante algo que está associado a um crime de invasão de privacidade. Foi uma atividade criminosa com objetivos claros. Um ato vergonhoso”, afirma.

“É a falência do sistema judiciário. Tão óbvio que dispensa o VAR”, Senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Continue lendo

Laguna lidera adesões no Sul em campanha com R$ 500 mil em prêmios

FOTO Notisul TEMPO DE LEITURA: 3 minutos Laguna se destaca no Sul de Santa Catarina ao liderar o número de adesões à campanha “Comércio Local é...

Pelo Estado – Catarinenses poderão comprar armas com desconto em imposto 

 A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)  da Alesc apresentou parecer favorável ao Projeto de Lei, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), que...

Clínica Derma & Sence é inaugurada com estética avançada no Hospital Mulher

FOTOS Notisul TEMPO DE LEITURA: 4 minutos A clínica Derma & Sence de estética avançada foi inaugurada em Florianópolis, instalada no novo Hospital Mulher, na SC-401....

Laguna realiza 800 castrações gratuitas em mutirão de bem-estar animal

IMAGEM PML Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 3 minutos A Prefeitura de Laguna concluiu, neste mês de abril, um mutirão de castrações gratuitas de cães e...

Advogada de Tubarão alerta para tráfico de pessoas após evento no Vaticano

FOTO Divulgação, Notisul TEMPO DE LEITURA: 4 minutos A advogada tubaronense Gabriela Mendonça representou o Brasil no 12º Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o...

Gravatal fortalece apoio a mães atípicas um ano após criação de programa

IMAGEM PMG Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 4 minutos Um ano após a sanção da Lei nº 2.503/2025, a Prefeitura de Gravatal tem ampliado as ações...

Arroio do Silva avalia uso de reconhecimento facial em escolas

FOTO PBAS Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutos A Prefeitura de Balneário Arroio do Silva está avaliando a implantação de tecnologia de reconhecimento facial nas...

Hilux adulterada é apreendida em operação conjunta em Criciúma

FOTO PCSC Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutos Uma operação conjunta das forças de segurança resultou na apreensão de uma caminhonete Toyota Hilux com sinais...