quarta-feira, 13 maio , 2026

As sacolas plásticas e o início de um novo tempo

Mariana Schuchovski
Doutora em Engenharia Florestal

Desde quarta-feira, os estabelecimentos do Estado do Rio de Janeiro estão proibidos de oferecer sacos ou sacolas plásticas descartáveis aos seus clientes, devido à aprovação da Lei 8.006/2018. Na mesma semana, a cidade de São Paulo (SP) sancionou um projeto de lei municipal para a proibição do fornecimento de canudos plásticos na cidade. Seguindo esse ritmo, logo medidas semelhantes estarão presentes em todo Brasil.

E agora, o que podemos fazer? Muitos de nós passamos a vida inteira usando copos e canudos plásticos em festas, restaurantes e escritórios, e sacolas plásticas para as compras. Essas mudanças são reflexo de um tema importante e discutido há muito tempo. Os impactos que causamos ao meio ambiente precisa ser repensado urgentemente. Economia circular, negócios de impacto, sustentabilidade, economia de baixo carbono, empreendedorismo social, indústria 4.0… Com a definição de um novo marco legal e diante de tantos temas relevantes, fica evidente que estamos vivenciando momentos de grande transformação. Uma verdadeira disruptura.

Como consumidores e cidadãos, sabemos da importância de consumir de forma consciente, priorizando produtos e serviços que minimizem os impactos negativos ao capital natural e à biodiversidade, ao mesmo tempo em que respeitem os direitos humanos e as relações sociais e trabalhistas. Isso tudo, sem deixar de lado a viabilidade econômica, aspecto igualmente importante para o equilíbrio e o desenvolvimento sustentável. Mas como sociedade, precisamos também assumir o compromisso de produzir de forma responsável. Em outras palavras: a conscientização sobre as responsabilidades na atuação de cada organização, instituição e indivíduo.

As sacolas e os canudos plásticos são a ponta do iceberg, quase como um chavão, pois representam apenas uma tímida parcela da quantidade de plástico e de matérias-primas de origem fóssil (como petróleo) que consumimos. No entanto, muito maior do que o impacto na quantidade do plástico consumido, é o impacto na mudança de hábitos. E é justamente aí que reside a grande transformação, importante e urgente. Esta mudança ocorre mais lentamente do que a adaptação tecnológica, já que vivemos tempos de inovação acelerada, pois envolve questões culturais, econômicas, sociais, dentre tantas outras.

No caso dos canudos, por exemplo, foram adotadas inúmeras formas de conscientização da população sobre os perversos impactos do plástico sobre a vida marinha e a terrestre. Vídeos, postagens e campanhas diversas evidenciando a realidade com o engajamento de tantas pessoas famosas e não famosas, foram cruciais para desencadear o processo de revisão sobre a maneira como consumimos.

Apesar da dificuldade de se conscientizar uma população de que o novo modelo é melhor do que o modelo anterior, a mudança de hábitos passa a ser duradoura. “A mente que se expande a uma nova ideia, jamais retornará ao seu estado original”, Einstein declarou muito sabiamente.

Torçamos para que esta premissa possa valer também para tantos outros produtos e processos que precisamos rever. Embora recente e, talvez ainda pouco consolidado, dificilmente voltaremos a consumir canudos plásticos. O mesmo se aplica às sacolas plásticas. Elas são só o começo. E não tem mais volta.

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