Carolina Carradore
Tubarão
A vida nunca foi fácil para o casal Jackson Daniel Diomário, 29 anos, e Karina Speck, 26. A renda mensal não ultrapassa R$ 400,00, já contando com o valor recebido do programa federal Bolsa Família. Essa verba serve para sustentar os cinco filhos, de 11, 8, 6, 5 e 2 anos, respectivamente. A família vive amontoada em uma casa de três cômodos, sem a menor infraestrutura, no bairro Humaitá de Cima, em Tubarão. A situação só não é pior porque há um ano eles recebem auxílio da Sociedade de São Vicente de Paulo, organização não governamental católica internacional.
Em Tubarão, três conferências assistem a 25 famílias cadastradas. Além de cesta básica, a meta da sociedade é trabalhar o lado social das famílias, incentivando a educação, trabalho, além de levar a palavra de Deus. “Nosso objetivo é resgatar a dignidade dessas pessoas, que consigam caminhar por si só”, destaca o presidente da Conferência dos Vicentinos da Catedral, Hélio César Sampaio. Os conferencistas reúnem-se uma vez por semana, momento em que oram e traçam diretrizes para o trabalho voluntário. Atualmente, a meta é angariar mais contribuintes para poder atender ainda mais a comunidade.
O que é a Sociedade de São Vicente de Paulo
A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma associação de católicos presente em 135 países, cujos membros propõem-se a crescer na fé e na prática da caridade de forma organizada, ajudando voluntariamente o pobre em seu próprio município. A sociedade vicentina foi fundada há 173 anos por um grupo de jovens universitários de Paris, liderado pelo beato Frederico Ozanam, inspirado na vida e obra de São Vicente de Paulo.
Cursos
Ainda neste semestre, através de voluntários, a Sociedade de São Vicente de Paulo disponibilizará cursos de corte e costura e computação à comunidade de baixa renda. A tubaronense Karina Speck espera ansiosa para participar do programa. Ela estudou até o primário e sente hoje a necessidade do estudo.
“Estou desempregada e não consigo emprego fixo devido à escolaridade”, lamenta Karina, que terá que ficar três meses sem trabalhar para se recuperar de uma cirurgia.
A conferência dos vicentinos também ajudou a família de Karina a diminuir os alagamentos em casa em dia de chuvas. Os voluntários cobriram com cimento a área da casa onde acumulava lama. “Eles nos ajudam e isso é muito importante. Sonho com meus filhos formados e com uma vida melhor”, afirma Jackson Daniel Diomário, marido de Karina, que pela falta de escolaridade também sofre para arrumar um trabalho de carteira assinada.
À espera de uma vida mais digna
Jair Godói Diomário, 47 anos, mora em um “puxadinho”, ao lado da casa do sobrinho, Jackson Diomário. Ele também é um dos assistidos pela Conferência dos Vicentinos da Catedral. Além de sobreviver com R$ 220,00, pensão deixada pelo pai, Jair não anda, devido a uma paralisia infantil contraída quando era bebê.
Ele arrasta-se pela casa de cerca de quatro metros quadrados, dividida em dois cômodos. A paixão pelo Flamengo é notória, já que Jair decora a pequena moradia com vários objetos alusivos ao time. O maior sonho para ter uma vida mais digna é uma cadeira de rodas motorizada.
Jair até ganhou uma cadeira novinha, mas não suporta a dor para manusear as rodas. Até pouco tempo, ele trabalhava como carroceiro, mas quebrou o fêmur, após cair da carroça. E a dor aumenta sempre que usa a cadeira. “Uma motorizada facilitará muito minha vida. Me arrasto pela casa. Só queria um pouco de qualidade de vida para poder ir até a igreja”, sonha.
A conferência dos vicentinos tenta ajudar Jair a adquirir a tão desejada cadeira motorizada e pede que as pessoas da comunidade ajudem. O local onde ele vive também não dá mais condições de moradia. O telhado não tem forro e há muitos ratos. Quando chove, toda a casa fica alagada.

