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Até que ponto evoluímos?

É curioso pensar em evolução quando viemos de uma era onde os conceitos advinham de mitos e crenças estapafúrdias baseadas em medos e anseios de se descobrir o novo. Pois houve um tempo em que se acreditava que a terra era quadrada e não se podia velejar para muito longe devido ao imenso abismo no horizonte, até que descobriu-se novas terras e, com o avanço da ciência, o seu formato verdadeiro e esférico. 

A população, que antigamente andava de charrete, hoje mal sabe o que é isso com a grande quantidade e modelos diferentes de automóveis e motocicletas. As cavernas, habitadas há milhões de anos pelos nossos ancestrais cederam lugar às casas e aos condomínios residenciais. As enciclopédias que outrora foram tão cobiçadas pelos estudantes, hoje não passam de livros empoeirados em sebos e bibliotecas, perdendo sua utilidade devido aos sites de busca. Os que se comunicavam por cartas e telegramas têm hoje a praticidade dos e-mails, telefonemas e internet. A comunicação passou a ser mais rápida no mundo todo. Recebemos as notícias na mesma hora em que acontecem. Podemos comprar e fazer transações bancárias sem precisar sair de casa. 

Muito evoluímos em tecnologia e informação, porém muito regredimos em termos de contato físico. As pessoas não vão mais à casa de seus amigos visitá-los. Visitam suas páginas e perfis nas redes sociais. Não conversam mais pessoalmente, pois já se comunicam via telefone, SMS, e-mail ou aplicativos no celular. E, se houver vontade de se ver, podem fazer isto via webcam.

Olhem que fantástico isto! Estamos em uma era que não é mais necessário dialogar pessoalmente, apenas teclar e digitar! Evoluímos dos antigos passatempos aos novos, assim como dos avanços tecnológicos à aproximação das pessoas. E dos mesmos avanços tecnológicos ao distanciamento das pessoas.

Será mesmo isto um avanço? Convido você a refletir sobre isto: 

Quantas vezes deixamos de cumprimentar algum amigo ou conhecer uma pessoa por estarmos entretidos no celular?

Quantos pratos foram queimados ao fogo por apenas mais cinco minutos que se tornaram meia hora na internet?

Quantos perigos o seu filho correu engatinhando pela casa porque estavas presa ao telefone com uma amiga? 

Quantos almoços e diálogos em família perdemos, por estarmos todos à mesa conectados à internet, assistindo a vídeos e teclando com alguém em aplicativos?

Quantos beijos e abraços deixamos de dar no namorado(a), cônjuge ou filho que clama por atenção?

Nos acostumamos a retribuir e compensar o afeto com presentes. Aos filhos lhes damos modernos jogos de videogames e tablets para que fiquem entretidos e não corram pela casa, incentivando também o sedentarismo. Para nós compramos os mais diversos bens materiais para suprir a falta de algo que não sabemos explicar o que é. Um vazio que não se mede. A falta de dar e receber afeto!

Estamos tão acostumados com a praticidade da tecnologia que por hora vemos isto como algo natural, mas até que ponto isto passa a ser comodismo e prejudicial em nossas vidas?

Devemos ser gratos aos grandes gênios e seus avanços da tecnologia, além dos prazeres que ela nos trás, porém devemos resguardar velhos costumes que outrora fizeram parte de nossas vidas e nos proporcionaram momentos maravilhosos.

Como a simples sensação de cheirar um livro novo, o esplendor da natureza, o divertido passear com os amigos e dos momentos únicos em família, a gostosa satisfação do carinho, do abraço, do beijo, do contato com o afeto. 
Pense nisso! Tire os olhos da tela por um momento e redescubra o universo ao seu redor!

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