quarta-feira, 22 julho , 2026

Átila Zavarize explica como os vinhos de altitude transformaram a Serra Catarinense

FOTO UNITVSC Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 5 minutos

Os vinhos de altitude produzidos na Serra Catarinense consolidam, ano após ano, sua presença entre os principais rótulos brasileiros. Para o enólogo da Vinícola Vivalti, Átila Zavarize, o reconhecimento é resultado de um trabalho técnico iniciado há pouco mais de duas décadas, aliado às condições naturais da região e ao investimento contínuo em qualidade.

Natural de Jaraguá do Sul e criado em Urussanga, município reconhecido pela tradição na produção da uva Goethe, Átila afirma que foi o contato ainda na infância com a cultura vitivinícola que despertou sua paixão pela enologia.

“Urussanga despertou esse meu interesse pelo vinho. Sempre tive contato com esse universo, com produtores, enólogos e famílias ligadas à atividade. Por isso resolvi estudar Enologia e seguir nesse fantástico mundo do vinho.”

Após concluir a formação em Bento Gonçalves (RS), ele passou a atuar na Serra Catarinense e participou dos primeiros projetos voltados ao desenvolvimento dos vinhos de altitude na região.

Indicação Geográfica reforça identidade dos vinhos catarinenses

Segundo Átila, a Indicação Geográfica (IG) dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina representa um importante diferencial para consolidar a identidade e o padrão de qualidade da produção regional.

Ele explica que, por se tratar de uma Indicação de Procedência, o sistema permite que os produtores continuem estudando o comportamento das diferentes variedades de uva e o potencial dos terroirs da Serra Catarinense.

“A região é bastante jovem quando falamos do mundo do vinho. São apenas 26 anos de história, enquanto existem regiões com mais de 500 anos de tradição. Ainda temos muito a descobrir.”

O enólogo destaca que apenas os rótulos aprovados em rigorosas avaliações técnicas recebem o selo da Indicação Geográfica.

Entre os critérios analisados estão o manejo dos vinhedos, o controle de produtividade, os sistemas de condução das plantas e degustações realizadas às cegas por especialistas.

“As degustações são realizadas às cegas. Nem todos os vinhos são aprovados para receber o selo da Indicação Geográfica, porque existe um padrão técnico bastante rigoroso.”

Conhecimento acelerou a evolução dos vinhos de altitude

Na avaliação de Átila, um dos fatores que permitiram à Serra Catarinense ganhar destaque em pouco tempo foi o acesso a estudos técnicos e consultorias especializadas desde o início da atividade.

Segundo ele, muitas vinícolas nasceram com foco na produção de vinhos premium, adotando práticas modernas de cultivo e vinificação.

“A gente, de certa forma, cortou caminho aproveitando a experiência de outras regiões. Muitas vinícolas contam com consultorias nacionais e internacionais e já nasceram com um padrão de qualidade muito bem definido.”

Premiações reforçam reconhecimento nacional e internacional

Responsável técnico pela Vinícola Vivalti, Átila destaca que a empresa vem acumulando premiações nacionais e internacionais nos últimos oito anos.

Entre os destaques estão o Sauvignon Blanc, reconhecido em concursos nacionais, o Alvarinho — atualmente o rótulo mais vendido da vinícola — além dos vinhos elaborados com as variedades Touriga Nacional e Montepulciano.

Um dos reconhecimentos mais importantes ocorreu justamente na Itália, país de origem da uva Montepulciano.

“Enviamos o vinho para um concurso internacional e conquistamos uma medalha de ouro. Foi um reconhecimento muito importante.”

Altitude favorece maturação lenta e vinhos mais complexos

Localizados a aproximadamente 1.300 metros acima do nível do mar, os vinhedos da Vinícola Vivalti se beneficiam da grande amplitude térmica característica da Serra Catarinense.

Dias relativamente quentes e noites frias prolongam o período de maturação das uvas, favorecendo o desenvolvimento de aromas, cor, estrutura e concentração dos compostos fenólicos.

“Quando essa maturação acontece de forma lenta e gradual, conseguimos uvas muito mais concentradas. Isso resulta em vinhos mais intensos, mais vibrantes e muito expressivos.”

Na vinícola, as uvas provenientes de vinhedos mais jovens abastecem a linha de entrada, enquanto os vinhedos mais antigos são destinados aos rótulos de maior complexidade.

Ainda assim, segundo Átila, todo o portfólio mantém elevado padrão de qualidade.

“Mesmo sendo nossa linha de entrada, são vinhos que entregam muito mais do que normalmente se espera, porque recebem também uma parcela de uvas de vinhedos mais antigos, que agregam maior complexidade.”

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

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