Wagner da Silva
Grão-Pará
Após a frustrada audiência de ontem na justiça do trabalho, que na realidade não ocorreu porque os representante da avícola Santa Barbará, em Grão-Pará, não compareceram sob a alegação de problemas de saúde, os 400 ex-funcionários tiveram uma boa notícia: os bens da avícola serão mesmo vendidos para quitar a dívida.
Os trabalhadores estão sem receber os salários desde o ano passado, quando a empresa foi fechada. A dívida trabalhista da avícola é estimada em R$ 700 mil. A oficial de justiça Lisianne Pestana de Farias, esteve ontem nas duas propriedades da empresa para fazer a descrição de todos os bens. Na fábrica de ração a avaliação primária chegou ao valor aproximado de R$ 2,1 milhões.
Nos cerca de 17 hectares de área onde está instalado o frigorífico, um vazamento de amônia, que oferece riscos à saúde, impossibilitou o acesso da oficial ao interior do abatedouro. “Vamos notificar o juiz sobre a periculosidade à saúde e solicitar a intervenção de um especialista para que seja feita uma manutenção no equipamento. Somente depois disso poderemos terminar o levantamento dos bens”, informa Lisianne.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias das Carnes e Derivados, Alimentação e Afins da Região Sul de Santa Catarina, Vilmar Antonio de Faveri, demonstra satisfação com a agilidade judicial, porém não sabe dizer quando os trabalhadores receberão os atrasados. Ele espera que uma proposta de compra possa surgir até o dia 19 do próximo mês, data remarcada para a audiência com os representantes da avícola.
Relembre o caso
• Em 2007 o frigorífico Wipper, em Grão-Pará, arrendou a estrutura à avícola Santa Barbará. Na época, os valores devidos aos funcionários foram renegociados, mas apenas algumas parcelas foram pagas.
• No dia 19 de dezembro do ano passado, o proprietário da empresa, Flávio Mazzuti, foi preso em flagrante por reutilização de produto impróprio para consumo. Ele teria comprado um lote de contêineres de frango após o incêndio do Porto de Navegantes.
• O produto somente poderia ser usado para a fabricação de ração, mas era reembalado na empresa de Grão-Pará. Desde então a avícola está fechada e os trabalhadores sem receber.
