Alimentos comuns no café da manhã de muitos brasileiros, como presunto, salsicha, bacon e linguiça, estão associados ao aumento do risco de câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). As carnes processadas foram classificadas no grupo 1 de agentes carcinogênicos, o mesmo que inclui substâncias como tabaco, amianto e a fumaça do óleo diesel.
A classificação indica que há evidências científicas suficientes da relação entre o consumo desses alimentos e o desenvolvimento de câncer, especialmente o câncer de intestino.
O que diz a OMS sobre carnes processadas
As carnes processadas passam por processos como salga, cura, fermentação ou defumação, com o objetivo de aumentar a durabilidade ou realçar o sabor. De acordo com a OMS e o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o consumo frequente desses produtos está diretamente associado ao aumento do risco de câncer colorretal.
A inclusão no grupo 1 não significa que o risco seja equivalente ao do tabaco em termos de intensidade, mas que o nível de evidência científica é o mesmo: há comprovação da relação com a doença.
Alimentação e câncer no Brasil
Segundo o INCA, cerca de 20% dos casos de câncer no Brasil estão relacionados a uma alimentação inadequada. O consumo excessivo de carne vermelha e, principalmente, de carnes processadas contribui para esse cenário.
O preparo em altas temperaturas, como frituras e grelhados, também pode liberar substâncias químicas com potencial carcinogênico, aumentando ainda mais os riscos à saúde.
Consumo não significa diagnóstico
O Ministério da Saúde ressalta que o consumo desses alimentos não significa, necessariamente, que uma pessoa desenvolverá câncer. No entanto, o hábito pode elevar as chances da doença, especialmente quando combinado a outros fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e predisposição genética.
Por isso, a recomendação é reduzir a frequência e a quantidade de consumo de carnes processadas, priorizando opções mais naturais.
Recomendações para prevenção
Uma alimentação saudável é considerada uma das principais estratégias de prevenção do câncer. A orientação dos órgãos de saúde é manter uma dieta baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.
Entre as recomendações estão:
Consumir pelo menos cinco porções diárias de vegetais (cerca de 400 gramas), sendo duas de frutas e três de legumes ou verduras;
Priorizar refeições variadas e coloridas, garantindo diversidade de nutrientes;
Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
Manter o peso adequado e praticar atividade física regularmente.
O INCA reforça que não existem alimentos milagrosos capazes de curar o câncer, mas uma dieta equilibrada contribui tanto para a prevenção quanto para o tratamento e o período pós-tratamento.

