Zahyra Mattar
Tubarão
Com as negociações emperradas, os trabalhadores dos Correios entraram em greve ontem, por tempo indeterminado. A categoria reivindica aumento salarial de R$ 400,00, reajuste do vale-refeição e do vale-alimentação, piso salarial de R$ 1.635,00 e reposição da inflação de 7,16%.
Segundo o representante do comando de greve na região, Márcio Martins, a empresa apresentou uma proposta nesta segunda-feira. Porém o teor não foi aceito pelos trabalhadores. “Foi oferecido reajuste salarial de 6,87%, abono de R$ 800,00 e R$ 25,00 de vale-alimentação, que seriam pagos somente em janeiro do próximo ano”, enumera Martins.
Ainda não há nenhuma reunião marcada entre sindicalistas e a diretoria dos Correios. Ontem, a paralisação atingia 24 estados. Um contingente de aproximadamente 40% dos empregados pararam. Hoje possivelmente o quadro altera-se. Na região, a greve ocorre em duas cidades. Em Tubarão, dos 50 funcionários, 20 aderiram. Em Laguna, sete dos 23 trabalhadores engrossam o movimento nacional.
Em Santa Catarina, conforme nota dos Correios divulgada ontem, a adesão é de cerca de 50 atendentes em um universo de 800 (ou 6% do total) aderiu à paralisação. Na distribuição – setor de carteiros – a adesão é de cerca de 30% do efetivo. Tanto em Tubarão, quanto em Laguna e todo o estado, os serviços não chegaram a ser afetados ainda.
Bancários podem deflagrar greve
Não vão bem as negociações entre as instituições financeiras e bancários. A data-base da categoria terminou no dia 31 do mês passado, mas foi prorrogada até o próximo dia 30, mas ainda não houve acordo.
Ontem, sindicalistas e representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) debateram a pauta econômica da categoria. A entidade deveria ter divulgado o índice de reajuste a ser proposto, mas recuou.
Isto será anunciado somente na próxima terça-feira, o que deixou a categoria em alerta. O índice da Febraban diz respeito a iniciativa privada. Contudo, é a partir deste percentual que o setor público (Caixa Econômica Federal e Branco do Brasil) elaboram suas propostas.
Este ano, os trabalhadores pleiteiam a participação nos lucros e resultados e reajuste de 5% mais o índice do INPC, que deverá fechar em 7,5% (com isso, chega a um total de 12,5%, aproximadamente).
“Estamos alertas e organizados. Caso não hajam avanços, poderemos deflagrar a greve a partir do dia 29”, confirma o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Armando Machado Filho.
No ano passado, a greve dos bancários durou 12 dias, mas foi mais forte do que em anos anteriores porque os trabalhadores da rede privada também paralisaram. Na base sindical de Tubarão, a assembleia da categoria deverá ocorrer no dia 26 deste mês.
Atenção!
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou ontem que não haverá prorrogação de prazos de pagamentos de cobranças não recebidas em função da greve dos Correios. O Procon sugere que os consumidores entrem em contato com os locais onde tenham prestações a honrar e peçam a segunda via da dívida ou tenta uma renegociação do prazo. A chefia dos Correios colocou em prática um plano de contingência para que o movimento grevista não afete a entrega de correspondências. Os funcionários que não aderiram à greve recebem hora extra e o pessoal alocado nos setores administrativos foi redistribuído onde há necessidade. Também é estudada a possibilidade de contratar mão-de-obra terceirizada, se a greve estender-se muito.

