Ocrescimento da incidência da obesidade em jovens e adultos é um fenômeno mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 1 bilhão de pessoas estejam com excesso de peso, quase um terço delas com obesidade. No Brasil, as estimativas mais recentes do IBGE dão conta de que metade da população esteja acima do peso e 15% dela, obesa.
A OMS classifica a obesidade como “acúmulo excessivo de gordura corporal”. O diagnóstico geralmente é feito com base no Índice de Massa Corpórea (IMC), fruto de uma conta simples: o peso dividido pela altura elevada ao quadrado. Quando esta conta resulta em um resultado entre 18,5 e 24,9, temos um quadro de peso normal; entre 25 e 29,9, sobrepeso; entre 30 e 34,9, obesidade grau 1; entre 35 e 39,9, obesidade grau 2; acima de 40, obesidade grau 3.
Eu estou entre os 15% que sofrem com a obesidade. Em novembro do ano passado, atingi os 141 quilos – considerando que tenho 1,69m de altura, podemos concluir que atingi o grau 2 de obesidade, considerado muito perigoso à saúde. Após mais de um ano de análises, resolvi realizar a cirurgia bariátrica, que está se tornando cada vez mais frequente em todo o mundo, e também no Brasil. Neste sábado, completo exatos 60 dias de recuperação e algumas histórias para contar sobre a experiência de optar por uma mudança de vida em nome da saúde.
É desnecessário falar as causas que levaram a este quadro extremo: estresse, ansiedade, questões genéticas e um relaxamento no cuidado com a prática regular de exercícios e com alimentação saudável. À medida que o peso avança, fica cada vez mais difícil realizar simples caminhadas, por conta dos incômodos físicos. Tampouco jogar futebol, um prazer do qual fui privado nos últimos anos e que anseio retomar muito em breve.
Realizar a cirurgia bariátrica requer muita convicção. A melhor analogia que ouvi me foi revelada pelo médico Ricardo Reis do Nascimento, que comandou a minha operação: “No começo, é como se você estivesse depositando o seu dinheiro na poupança enquanto o seu vizinho faz festa e compra carro novo”. De fato, a recuperação tem uma lógica de investimento. Você muda radicalmente a alimentação tendo que ter consciência de que os benefícios virão apenas no médio e longo prazo.
Estou chegando ao meio desta jornada. Passei por três dias internado, sem poder sequer beber água, alimentando-me apenas por soro. Depois, vieram 15 dias consumindo apenas líquidos – um copo de 50ml a cada meia hora, podendo consumir apenas sucos aguados e coados ou água de coco. Os 15 dias seguintes permitiam alimentos pastosos, como carne moída e purê de batata – alimentos simples que pareciam um manjar divino àquela altura.
A cirurgia impulsiona um necessário processo de emagrecimento que só será completo se houver uma mudança no estilo de vida. O velho mantra dos nutricionistas de comer pequenas porções a cada três horas precisa ser seguido à risca, porque seu corpo exigirá isso como nunca. Os exercícios físicos precisam voltar a ser uma rotina e o hábito de descontar a ansiedade no prato pode ter consequências muito negativas.
Livrei-me de 25 quilos. O peso atual ainda está longe do ideal, mas já me livrou de dores nas costas e articulações e me deu um imenso ganho de qualidade do sono, o que se reflete em todo o restante do dia. Já posso fazer atividades físicas e retomar as práticas cotidianas, mas com outros hábitos alimentares. Todos os exames apontam melhoras nos índices que mais preocupam os obesos, como diabetes e colesterol, além da baixa no risco de hipertensão. Valeu muito a pena e o apoio dos familiares – especialmente da minha mãe Lucília e da minha noiva Patrícia – foi fundamental, porque as primeiras etapas são de extrema dependência, por conta da fragilidade física e da necessidade de seguir uma rotina rígida. Mas cujos frutos serão sentidos ao fim do investimento feito na própria saúde.

