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Bastidores da política catarinense: alianças, disputas e articulações

FOTO Notisul

É Lei e está valendo

O fim da janela partidária de 2026 representa um dos momentos mais decisivos do calendário político em ano eleitoral. É nesse período que se reorganizam forças, alianças e candidaturas, redesenhando o cenário para a disputa que se aproxima.

Além de expor divergências internas, esse movimento estimula a migração de candidatos entre partidos, muitas vezes levando consigo capital eleitoral e redes de apoio. Trata-se de uma verdadeira reconfiguração política, marcada por estratégias, cálculos e disputas de espaço.

Embora, em alguns casos, essa reengenharia produza resultados positivos, na maioria das vezes ela não se sustenta no longo prazo, revelando fragilidades nas alianças construídas de forma circunstancial.

Janela partidária

A janela partidária de 2026 ocorreu entre os dias 5 de março e 4 de abril. Ou seja, o prazo já foi encerrado.

Mas afinal, o que é a janela partidária? Trata-se de um período de 30 dias, em anos eleitorais, no qual parlamentares podem trocar de partido sem perder o mandato — algo que, em regra, não é permitido no Brasil devido ao princípio da fidelidade partidária. Isso ocorre porque, no sistema proporcional, o mandato pertence ao partido, e não ao político.

Em 2026, a janela foi utilizada exclusivamente por deputados federais e estaduais. Vereadores não se enquadram nesse período, já que não há eleições municipais neste ano.

Por outro lado, candidatos a cargos majoritários — como presidente, governador e senador — podem trocar de partido fora da janela, desde que respeitem os prazos legais de filiação exigidos pela legislação eleitoral.

Deputado Serginho ficou

O deputado estadual Sérgio Guimarães (União) decidiu permanecer no partido e disputar a reeleição à Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 2026 pela mesma agremiação que garantiu sua eleição em 2022.

Em suas redes sociais, o parlamentar afirmou que recebeu forte pressão de integrantes do governo para se filiar ao PL. Ele agradeceu o convite, mas optou por continuar na atual sigla, atendendo à orientação de suas lideranças políticas.

Primeira baixa

Em ano eleitoral, é comum observar o surgimento de pré-candidaturas lançadas com antecedência, muitas vezes em busca de visibilidade e espaço na mídia. No entanto, no momento decisivo, nem todas conseguem se consolidar.

O caso de Cauê Locks ilustra bem esse cenário. Ele surgiu no segundo semestre do ano passado como pré-candidato a deputado federal pelo NOVO, formando dobradinha com o vereador de Jaguaruna Cesar Damiani, pré-candidato a deputado estadual. Ganhou visibilidade, ocupou espaço e se posicionou no debate político. Ainda assim, não foi escolhido pelo próprio partido para a disputa.

A saída de Cauê Locks da corrida eleitoral ocorreu por questões internas da legenda. Com o crescimento do NOVO em Santa Catarina, impulsionado pela chegada de sua principal liderança no estado, Adriano Silva — ex-prefeito de Joinville e pré-candidato a vice na chapa de Jorginho Mello (PL) —, o número de pré-candidatos competitivos aumentou significativamente. Nesse cenário, a lógica matemática da legenda passou a pesar.

A legislação eleitoral também impõe limites: os partidos podem lançar até 17 candidatos à Câmara Federal em SC, sendo obrigatório o preenchimento mínimo de 30% de candidaturas femininas. Na prática, isso reduz ainda mais o número de vagas disponíveis para homens.

Diante desse cenário, Cauê acabou ficando fora da nominata. Um desfecho que reforça uma máxima da política: visibilidade antecipada nem sempre se traduz em candidatura viável.

O jogo já começou

A disputa pelo governo de Santa Catarina já começou, mesmo antes do período oficial de campanha. De um lado, João Rodrigues (PSD); de outro, o governador Jorginho Mello (PL). As primeiras pesquisas indicam vantagem para o atual governador, com cenário de vitória ainda no primeiro turno. O jogo já está em andamento — e começou intenso.

A polarização entre os dois nomes se desenha com clareza. Ainda que alguns analistas considerem precoce qualquer leitura baseada em pesquisas neste momento, a história mostra que o cenário pode mudar. Basta lembrar a eleição de 2002, quando o então líder emedebista Luiz Henrique da Silveira (MDB) contrariou projeções iniciais e venceu a disputa contra o então governador Esperidião Amin (PP). Ainda assim, os sinais atuais indicam uma eleição competitiva.

No campo adversário, a articulação também avança. A chapa dita de esquerda, que reúne forças de diferentes espectros políticos, ainda não foi oficialmente apresentada à imprensa. No entanto, nos bastidores, já há indicativos de composição definida.

Segundo fontes próximas a Gelson Merísio (PSB), a chapa está praticamente consolidada. Eventuais resistências internas, especialmente dentro do Partido dos Trabalhadores, tendem a ser superadas, diante de decisões alinhadas com a cúpula nacional.

A formação deve contar com Gelson Merísio (PSB) como candidato ao governo, Angela Albino (agora pelo PDT) como vice, além de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) nas vagas ao Senado. Apesar de estruturada, a chapa ainda carece de presença mais efetiva nas ruas e maior exposição na mídia.

Mais companhas

O Republicanos, partido de Expedito Michels, pré-candidato a deputado estadual, não terá apenas um nome representando a região Sul nas eleições de 2026.

Além de Expedito, a sigla deve lançar outros dois candidatos da região, totalizando três nomes na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Joma é candidato único, por enquanto

O suplente de vereador João Marcelo deverá buscar mais parcerias  para que o projeto seja aceito   -
João Marcelo é pré4-candidato a federal pelo MDB

Já o MDB deve apresentar um único nome para deputado federal na região Sul: João Marcelo Fretta (Joma), da Amurel. O pré-candidato vem intensificando sua articulação política em busca de apoios estratégicos para fortalecer sua candidatura.

Joma conta com o respaldo de lideranças importantes do MDB, como o deputado Volnei Weber, além de nomes como Jorge Coan e o presidente Pavei. A expectativa é de que a pré-candidata a deputada estadual Leatrice Bez, junto com seu pai, o ex-deputado Edinho Bez, também integrem o grupo, ampliando ainda mais a força da composição.

Ainda assim, o cenário permanece em aberto. Com as convenções partidárias previstas entre 20 de julho e 4 de agosto, mudanças podem ocorrer até a definição oficial das candidaturas. Por enquanto, este é o desenho que o MDB apresenta ao eleitor da região.

Culpa dos senhores

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), voltou ao centro das críticas após a decisão de não prorrogar a CPI do crime organizado, que se encerraria na próxima semana. A medida gerou questionamentos sobre os motivos que levaram à interrupção dos trabalhos da comissão.

A CPI vinha avançando em frentes sensíveis, o que aumentou a pressão política em torno de sua continuidade. Para críticos da decisão, o encerramento precoce levanta dúvidas sobre possíveis impactos das investigações e seus desdobramentos.

A eleição de Alcolumbre para o comando do Senado contou com apoio de diferentes forças políticas, incluindo partidos de centro e de oposição. No entanto, o cenário político é dinâmico, e movimentos recentes indicam um ambiente de maior tensão entre aliados do governo e críticos.

Agora, cresce o debate sobre as consequências da decisão e seus reflexos no equilíbrio político dentro do Congresso.

Gestão Capivari de Baixo

A administração do prefeito Claudir Bitencourt (PL) promoveu a nomeação de Adam PG (PSD) para a Secretaria de Defesa Civil. O movimento chama atenção pelo contexto político: Adam foi candidato a vice-prefeito na última eleição ao lado da ex-prefeita Márcia, do Progressistas, adversária direta de Claudir no pleito.

A articulação surpreende e levanta questionamentos sobre os objetivos da decisão. Se a estratégia estiver voltada para um projeto político de médio prazo, pensando nas próximas eleições, pode ser considerada precoce. Por outro lado, caso o critério tenha sido a experiência de Adam na gestão pública, a escolha pode se mostrar acertada. Resta acompanhar os desdobramentos.

Ainda em Capivari de Baixo, outra movimentação chamou atenção nesta semana. O secretário de Finanças deixou o cargo, e o prefeito teria convidado a filha do vereador Camilo, também do Progressistas, para assumir a pasta. Até o fechamento desta coluna, a nomeação ainda não havia sido oficialmente confirmada.

Salve nossa Câmara

Os primeiros meses do ano na Câmara de Vereadores têm revelado uma disputa curiosa no campo das proposições legislativas. Os vereadores Nilton de Campos (PL) e Jó Krüger (PL) têm apresentado projetos que chamam a atenção pelo conteúdo e repercussão.

Entre as propostas já apresentadas estão temas como a proibição do Halloween, a distribuição de Bíblias em escolas, discussões sobre programas sociais — que, em alguns casos, são de competência federal — e iniciativas relacionadas ao uso de banheiros. Parte dessas matérias já recebeu parecer contrário da Comissão de Legislação da Câmara.

Cabe destacar que a comissão é composta majoritariamente por vereadores da base governista, o que torna ainda mais relevante a análise técnica dos projetos.

Na última sessão, o vereador Nilton apresentou um novo projeto de lei que ainda deverá passar por avaliação mais detalhada, inclusive quanto à sua fundamentação e viabilidade jurídica.

Vamos rir e relaxar

Agenda de abril – Rilário Comedy
09/04 | Abner Dantas – Desacato
10/04 | Irineu Nicoletti – Meio Tanso
11/04 | Nando Viana – A Vontade
12/04 | Murilo Moraes – Show do React
16/04 | Sanny Machado – Além da Realidade
17/04 | Emerson Ceará – O Retorno da Lenda
18/04 | Ivangelica – Ela Tem o Tino
19/04 | João The Rocha – Perdoai

A casa está localizada na Rua Luís Pedro Oliveira, 576, bairro Dehon, em Tubarão.

As reservas podem ser feitas pelo telefone (48) 99640-7971

Patrícia Marcon

FOTO Mídias Sociais Reprodução Notisul

A Secretaria de Saúde de Tubarão está sob comando interino durante o período de férias da titular da pasta, Carina Portão.

A gerente da Central de Regulação, Patrícia Marcon (PL), assumiu temporariamente a função nesta segunda-feira (6) e permanecerá no cargo pelos próximos 20 dias.

Com experiência na área, Patrícia já atua na gestão da saúde municipal e dará continuidade aos trabalhos da secretaria durante o período.

Raimundo fora da política

Informações publicadas na coluna do Mexicano indicam que o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) não deverá disputar nenhum cargo eletivo nas eleições deste ano. No entanto, há também movimentações que o colocam como possível candidato a deputado federal.

Ao buscar mais detalhes sobre o tema, a informação confirmada até o momento é de que Colombo permanecerá no PSD. Mesmo diante de convite feito pelo MDB, na última terça-feira, para que integrasse a sigla, a resposta foi negativa.

O cenário, porém, segue em aberto. Com o período das convenções partidárias marcado entre 20 de julho e 4 de agosto, novas articulações ainda podem surgir.

Uma coisa parece pouco provável: que Raimundo Colombo se afaste da política neste momento.

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