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Bolsonaro diz que ONGs podem estar por trás de queimadas na Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse hoje (21) que as ONGs podem estar por trás das queimadas que atingem a Amazônia por terem perdido recursos e estarem querendo atingi-lo. Ele não apresentou evidências das alegações. “O crime existe e nós temos que fazer o possível para que não aumente, mas nós tiramos dinheiro de ONGs, repasses de fora, 40% ia para ONGs, não tem mais. De modo que esse pessoal está sentindo a falta de dinheiro. Pode estar havendo, não estou afirmando, a ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra minha pessoa contra o governo do Brasil”, disse Bolsonaro.

O presidente disse que está conversando com os ministérios da Defesa e do Meio Ambiente para ver as providências que o governo federal pode tomar para ajudar a sanar o problema. “Vamos fazer o possível e o impossível para conter esse incêndio criminoso, cada árvore queimada eu sinto aqui em mim o que está acontecendo”, disse.

Dados do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o número de focos de queimadas cresceu 70% este ano (até o dia 18 de agosto) na comparação com o mesmo período de 2018 – o número é o maior desde 2013, primeiro ano em que há informações de período similar. 

Segundo os números do Inpe, o bioma mais afetado é o da Amazônia, com 51,9% dos casos. O cerrado vem em seguida com 30,7% dos focos registrados no ano. Em números absolutos, Mato Grosso é o estado líder com 13.109 focos de queimada, seguido pelo Pará, com 7.975. Corumbá (MS) é o município campeão em focos: 1.911.

O Inpe, que levanta os dados de queimadas, foi alvo de críticas recentes de Bolsonaro. Ele acusou o órgão de estar a serviço de algumas ONGs ao divulgar dados que apontaram aumento do desmatamento na Amazônia. O caso resultou na saída do diretor do Inpe, Ricardo Galvão. O programa de queimadas do Inpe conta com recursos do Fundo Amazônia. Recentemente, Alemanha e Noruega cortaram verbas que enviavam ao fundo em protesto contra o aumento do desmatamento no bioma.

Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

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