quarta-feira, 21 outubro , 2026

Bolsonaro pede reabertura de escolas e critica governadores

O presidente Jair Bolsonaro realizou o terceiro pronunciamento em cadeia nacional, na noite desta terça-feira (24), sobre a crise do coronavírus. Durante os quatro minutos em que discursou, ele defendeu a reabertura de escolas, o fim do confinamento e ainda culpou a mídia por “histeria”. Bolsonaro também elogiou o trabalho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“Desde quando resgatamos os nossos irmãos em Wuhan, na China, numa operação coordenada pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores, surgiu para nós o sinal amarelo. Começamos a nos preparar para enfrentar o coronavírus, pois sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele chegaria ao Brasil. O nosso ministro da Saúde reuniu-se com quase todos os secretários de saúde dos estados para que o planejamento estratégico de enfrentamento ao vírus fosse construído.  Desde então, o doutor Henrique Mandetta vem desempenhando um excelente trabalho de esclarecimento e preparação do SUS para atendimento de possíveis vítimas.”

No entanto, Bolsonaro culpou a mídia por noticiar sobre a crise da doença na Itália, o que, segundo ele, causou “histeria”. “O que tínhamos que conter naquele momento era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa. Assim fizemos, quase contra tudo e contra todos. Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão e espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro chefe o anúncio do grande número de vítima na Itália, um país com grande número de idosos e com o clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito potencializado pela mídia para que uma verdadeira histeria se espalhasse no país. Contudo, percebe-se que de ontem para hoje, parte da imprensa mudou seu editorial, pede calma e tranquilidade. Isso é muito bom. Parabéns, imprensa brasileira. É essencial que o equilíbrio e a verdade prevaleça entre nós”, apontou. 

Em outro trecho, Bolsonaro voltou a criticar alguns governadores por medidas restritivas e pelo fechamento das escolas. Ele defendeu a volta da “normalidade” no país.

“O vírus chegou. Está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. empregos devem ser mantidos, o sustento da família deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo têm mostrado que um grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?”, questionou.

O chefe do Executivo disse ainda que são “raros” os casos fatais de pessoas saudáveis com menos de 40 anos de idade. “90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine. Devemos sim, é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para os outros. Em especial, aos nossos queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde.”

Segundo o chefe do Executivo, caso contraísse a doença, “não precisaria se preocupar”. “Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou teria. Quando muito acometido por uma gripezinha ou um resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão (Drauzio Varella)”.

Bolsonaro voltou a falar ainda do cloroquina, que ainda não tem eficácia comprovado contra o vírus. “Enquanto estou falando, o mundo busca um tratamento para a doença. O FDA americano e o Albert Einstein em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da cloroquina no tratamento do Covid-19. Nosso governo tem recebido notícias positivas sobre esse remédio fabricado no Brasil, largamente utilizado no combate à malária, ao lúpus e artrite. Acredito em Deus, que capacitará cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo na cura dessa doença”, ressaltou.

No fim, Bolsonaro aproveitou para fazer uma rápida homenagem aos profissionais de saúde que vem atuando contra a Covid-19. “”em pânico ou histeria como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos de estar vivendo nesse novo Brasil que tem tudo para ser uma grande nação. Estamos juntos, cada vez mais unidos. Deus abençoe nossa Pátria”, concluiu.

 

Minutos antes, Bolsonaro publicou duas fotos nas redes sociais anunciando o pronunciamento. Uma com Paulo Guedes na qual reforçou a amizade com o ministro com a seguinte legenda: “Mais que um posto Ipiranga, um amigo, um irmão para as horas difíceis. Estamos juntos nesse desafio pelo Brasil”. A outra, sobre manter a calma, seguir as recomendação do Ministério da Saúde e ‘zelar pelos mais vulneráveis’. “A saúde em 1º lugar, mas também a manutenção do emprego e condição de vida após a epidemia”, escreveu o presidente. 

 

REPERCUSSÃO

Momentos depois da fala do presidente em rede nacional, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o vice-presidente da Casa, Antônio Anastasia, divulgaram uma nota criticando a postura de Bolsonaro durante o discurso e caracterizaram como ‘grave’ seu posicionamento, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19 e à imprensa.

“Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais. A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise”, finaliza a nota. Alcolumbre cumpre quarentena após ter testado positivo para a doença.

Por meio do Twitter, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também se pronunciou sobre o assunto. Ele disse que Bolsonaro foi ‘equivocado’ ao atacar especialistas em saúde e a imprensa. Maia pediu ‘paz’ para enfrentar o momento.

“Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública.

O momento exige que o governo federal reconheça o esforço de todos – governadores, prefeitos e profissionais de saúde – e adote medidas objetivas de apoio emergencial para conter o vírus e aos empresários e empregados prejudicados pelo isolamento social.

Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco.

O Congresso está atento e votará medidas importantes para conter a pandemia e ajudar os empresários e trabalhadores. Precisamos de paz para vencer este desafio”, concluiu.

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