Letícia Matos
Tubarão
Não é de hoje que os botos (golfinhos) de Laguna são destaque. O fenômeno de interação com os pescadores já foi divulgado internacionalmente. Agora está prestes a receber um reconhecimento nacional.
O projeto de lei de autoria do deputado federal Esperidião Amin, que confere o título de ‘Capital Nacional dos Golfinhos Pescadores’ à Laguna, foi aprovado na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados nesta semana.
A proposta visa não só proporcionar a divulgação do fenômeno, como chamar a atenção para a necessidade de conservar os ecossistemas lagunares da região. Para o pescador Wilson Francisco dos Santos, o Safico, 64 anos, a divulgação é boa para fortalecer o turismo na região, porém de nada adianta se não houver a consciência ambiental.
“Há 30 anos pesco com a ajuda dos botos na Barra dos Molhes. São entre 50 e 60 animais que ficam ali, mas uns 20 trabalham com a gente. Somos apegados a eles como se fossem nossos e vemos que há muita poluição. Não adianta nada leis ou projetos se não ajudarem a cuidar dos nossos botos”, desabafa.
O envolvimento com os cetáceos é tão forte que os pescadores os reconhecem até pelo modo de respirar. “Sabemos a característica de cada um. Eles têm nomes: Scoob, Batman, Figueiredo, Chicletinho, Espinafre e por aí vai. E se dão bem com todos. Na época da tainha vem pescadores de toda região e fazemos revezamento para cada um jogar sua tarrafa”, ressalta.
No projeto, o deputado federal resgatou a lei municipal (nº 521 de 1997) que reconhece os botos como patrimônio do município. O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
O boto pescador
Os golfinhos costumam passear pelo canal que liga a Lagoa de Santo Antônio ao mar aberto. Os pescadores preparam suas tarrafas e colocam-se à beira do canal, a pé ou de canoa, dependendo da maré. Ao perceberem a presença dos humanos, os golfinhos passam a cercar os cardumes que entram e saem da lagoa, sobretudo as tainhas, e os afugentam na direção dos pescadores. Os peixes que escapam das redes viram presa fácil e vão parar no estômago dos botos.
O que intriga muitos é o fato de que os golfinhos da região são iguais aos que se pode ver no mundo todo. É a espécie tursiops truncatus, ou “nariz de garrafa”, a mais comum e conhecida de todas. Quem já assistiu à série de TV Flipper certamente viu um deles. O que existe de diferente nos bichos do litoral de Santa Catarina é o seu comportamento.

