terça-feira, 24 fevereiro , 2026

Cadeia produtiva do arroz deve seguir em crise ao longo de 2026, aponta SindArroz-SC

FOTO Monique Amboni SindiArroz Divulgação Notisul

TEMPO DE LEITURA: 4 minutos

A crise que atingiu fortemente a cadeia produtiva do arroz em 2025 deve se prolongar ao longo de 2026, exigindo ainda mais resiliência de produtores e indústrias do setor. Em Santa Catarina, o Sindicato das Indústrias do Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) acompanha com atenção o cenário de mercado, marcado pelo excesso de oferta e pela queda acentuada nos preços do grão.

A avaliação da entidade é de que o segmento seguirá enfrentando dificuldades ao longo do ano, com possibilidade de início de recuperação apenas no último trimestre de 2026, já próximo da safra 2026/2027.

Excesso de estoques pressiona preços

Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a continuidade da pressão negativa sobre os preços está diretamente ligada ao grande volume de arroz ainda disponível no mercado.

“O excesso de arroz nos estoques limita qualquer possibilidade de valorização no curto prazo. Isso exige das indústrias catarinenses uma atuação cautelosa, com foco em redução de custos e estratégias de gestão eficientes”, afirma.

A entidade destaca que, diante desse cenário, muitas empresas têm operado com margens reduzidas, priorizando a manutenção das atividades e a preservação de empregos.

Possível recuperação depende da safra 26/27

A sinalização de melhora nos preços a partir do fim de 2026 está relacionada à previsão de redução na área plantada da próxima safra. De acordo com Rampinelli, a descapitalização dos produtores deve impactar diretamente o volume de investimentos no campo.

“O agricultor chegará ao início do ciclo sem recursos suficientes para investir na lavoura. Isso deve resultar em uma retração ainda mais acentuada da área cultivada, reduzindo a oferta e criando condições para uma valorização gradativa do arroz”, projeta.

Safra 2025/2026 avança com estabilidade

Apesar do contexto econômico adverso, a safra 2025/2026 em Santa Catarina apresenta um desenvolvimento considerado normal do ponto de vista agronômico. As condições climáticas, até o momento, têm sido favoráveis, com calor, chuvas e luminosidade adequados.

“Talvez não tenhamos produtividade recorde, especialmente em função dos altos custos de produção, mas a expectativa é de uma colheita estável em relação à média histórica recente”, explica o presidente do sindicato.

Dados da Epagri/Cepa apontam uma redução de 1,28% na área plantada em comparação à safra 2024/2025, além de uma queda de 6,11% na produção total, o que representa cerca de 79,3 mil toneladas a menos.

Articulação institucional será reforçada em 2026

Ao longo de 2025, o SindArroz-SC intensificou o diálogo com lideranças políticas, autoridades públicas e entidades do setor em busca de alternativas para amenizar os impactos da crise. Uma das principais ações foi a mobilização da Câmara Setorial do Arroz de Santa Catarina, com participação do deputado estadual José Milton Scheffer.

Para 2026, a entidade pretende ampliar essa articulação institucional, com foco em competitividade, incentivo às exportações e valorização do arroz como alimento estratégico para a segurança alimentar.

“Nosso compromisso é representar os interesses da indústria e garantir que a cadeia do arroz continue sendo um pilar econômico e social para Santa Catarina e para o Brasil”, reforça Rampinelli.

Incentivo ao consumo e valorização do alimento

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, o SindArroz-SC também planeja ampliar ações de conscientização sobre a importância do arroz na alimentação dos brasileiros, destacando seus atributos nutricionais, culturais e econômicos.

“Estimular o consumo consciente e qualificado do arroz é uma forma de fortalecer toda a cadeia produtiva e reconhecer o trabalho de milhares de famílias que vivem desse cultivo”, conclui o presidente.

Sobre o SindArroz-SC

Fundado em 1975, o Sindicato das Indústrias do Arroz de Santa Catarina representa 27 indústrias cerealistas do estado. A rizicultura catarinense responde por cerca de 15% do abastecimento nacional, gerando milhares de empregos diretos e indiretos em Santa Catarina e em outras regiões do país.

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