Wagner da Silva
Braço do Norte
Ele chega de mansinho, faz cara de “socorro” e logo conquista toda a vizinhança. Ser cão de rua não é bom, mas, quando se acha bons humanos, não é a pior coisa do mundo.
E justamente a boa ação praticada por alguns moradores dos bairros Vila Nova e Nossa Senhora de Fátima, em Braço do Norte, começou a refletir negativamente para outros cidadãos que residem nestas mesmas comunidades.
Um grupo de cães passou a morar em algumas ruas destes bairros. No começo, eram fofinhos. Agora, tornaram-se “vilões”. Como acham que a rua é sua casa, passaram a defender os seus espaços e humanos literalmente com unhas e dentes.
Atacam qualquer estranho que esteja com carro, moto ou bicicleta. Se por um lado os bichinhos precisam de proteção, por outro a comunidade também precisa ter tranquilidade para andar na rua. A moradora Jaqueline Michels Duessmann alerta para a proliferação de doenças, já que os cães não são vacinados. “Hoje, eles atacam os veículos. E, quando passarem a morder os pedestres, as crianças. Isto é preocupante. Tenho pena dos cães, mas isto precisa ser resolvido. É um problema social, registrado em vários municípios”, destaca.
Alto custo inviabiliza a
construção de um canil
Fato: a questão dos cães abandonados pelas ruas é um problema gerado pelos humanos. Na hora de adquirir um bichinho de estimação, todos ficam maravilhados com aquela “carinha de anjo” do bebê-cão. Então, o fofinho transforma-se no adolescente-cão e ninguém mais quer. Resultado: termina na rua da solidão.
Para solucionar esta questão, o correto seria educar a população quanto à responsabilidade em adquirir um animal de estimação e construir um canil público para recuperar os cães de rua e proporcionar que eles encontrem novas famílias humanas. Porém, o alto custo da instalação e manutenção da estrutura inviabiliza a efetivação do projeto em Braço do Norte.
“Este valor teria que ser repassado à população ou rateado entre os municípios, mas, neste momento, nenhum prefeito teria verba disponível para pensar neste assunto”, lamenta o secretário de agricultura e meio ambiente, Adir Engel. Ele acrescenta que uma solução seria a parceria entre órgãos governamentais e associações para criar um projeto de castração dos animais e educação das pessoas quanto à adoção responsável.

