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Caminhada de Nikolas Ferreira chega a Brasília neste domingo e vira ato político contra o Judiciário

FOTO Mídias Sociais Reprodução Notisul

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A chamada “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), ganhou repercussão nacional em janeiro de 2026 ao misturar mobilização popular, críticas diretas ao Judiciário e denúncias envolvendo um escândalo financeiro bilionário. O ato culmina na chegada a Brasília sob forte esquema de segurança do governo federal.

O início simbólico em Minas Gerais

A caminhada começou em Paracatu (MG), no dia 19 de janeiro, com o anúncio de que o parlamentar percorreria cerca de 240 quilômetros a pé até a capital federal. Segundo Nikolas, que usa uma camiseta branca com letras vermelhas escritas com batom, “Acorda Brasil” para lembrar a condenação a 14 anos de prisão, pelo STF, de Débora Rodrigues, por ter pixado a estátua da Justica, o gesto tem caráter simbólico, representando a insatisfação de parte da população com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente relacionadas às prisões dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Nos primeiros dias, imagens do deputado caminhando com poucos aliados pela BR-040 dominaram as redes sociais. A estratégia de comunicação reforçou a narrativa de isolamento inicial, gerando engajamento entre apoiadores e críticas de adversários políticos.

O início simbólico em Minas Gerais
FOTO Mídias Sociais Reprodução Notisul

Crescimento do movimento e adesão de aliados

À medida que o grupo se aproximava do Distrito Federal, o número de participantes aumentou. Caravanas organizadas por apoiadores de diferentes estados passaram a se encontrar com o deputado em pontos estratégicos do trajeto.

Parlamentares e lideranças da oposição, como Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e o senador Magno Malta, manifestaram apoio público ao ato, consolidando a caminhada como uma das principais mobilizações da oposição no início de 2026. A organização contou com apoio logístico privado, incluindo alimentação e suporte médico.

Caso Banco Master vira principal bandeira política

Outro pano de fundo político da marcha foi o chamado “Caso Banco Master”, que envolve a liquidação extrajudicial da instituição após a identificação de um rombo estimado em R$ 41 bilhões. Nikolas e aliados passaram a relacionar o caso a decisões judiciais e à atuação de ministros do STF.

Entre os alvos das críticas estão os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A oposição questiona decisões que suspenderam investigações da Polícia Federal e aponta possíveis conflitos de interesse, temas que motivaram pedidos de apuração no Congresso. A mulher de Alexandre de Moraes é advogada do Banco Máster e tem um contrato de R$ 129 milhões com o banco liquidado pelo Banco Central. Moraes é acusado de pressionar o BC para suspender a liquidação. Toffoli viajou em um jato de um dos advogados do banco, para assistir, no exterior, a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, e tem uma empresa da família comprada por uma corretora ligada ao Master por milhões de reais.

Reação do governo e reforço na segurança

Com a aproximação da manifestação, o governo do presidente Lula (PT) determinou o reforço da segurança na Esplanada dos Ministérios. Grades foram instaladas ao redor do Palácio do Planalto e da Praça dos Três Poderes, com atuação da Força Nacional e da Polícia Militar do Distrito Federal. O STF está cercado por grades há vários anos.

O Planalto justificou as medidas como preventivas, citando a necessidade de preservar a ordem pública e evitar danos ao patrimônio. Parlamentares da oposição, por sua vez, classificaram o cerco como excessivo e interpretaram a ação como tentativa de intimidação.

Estratégia política e próximos passos

Analistas avaliam que a caminhada teve como principal objetivo ampliar o alcance nacional das denúncias levantadas pela oposição e reforçar a imagem de Nikolas Ferreira como um dos principais líderes do campo conservador no Congresso. O movimento também antecipa o debate sobre pedidos de CPMI e outras iniciativas parlamentares relacionadas ao sistema financeiro e ao Judiciário.

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