Não faço referência à recente descoberta de água em Marte e a possibilidade de vida e escolha dos líderes no Planeta Vermelho.
Refiro-me ao de fato economistas – que assessoram pré-candidatos à presidência do Brasil, em entrevistas na Rede de Comunicações NSC – omitirem a Educação como instrumento para superar as mazelas nacionais.
Como nenhum país do planeta Terra superou suas dificuldades sem forte e adequado investimento em Educação, perguntei se são candidatos à presidência em Marte.
Significa que teremos mais uma eleição de bravatas sem que se adentre às questões estruturantes do país.
Sistema educacional de base forte transforma pessoas que precisam de ajuda em pessoas que podem ajudar. Com base educacional forte, elas prosseguem com mais facilidades nos estudos, acessam aos melhores empregos e salários, deixam de utilizar os serviços públicos, consomem mais e contribuem com mais impostos.
O grande problema é que o Brasil não prioriza a base da Educação. Investe quatro vezes menos nesta etapa do Ensino do que no Superior. Como consequência, 70% dos alunos que concluem o Ensino Fundamental, não “aprendem o adequado” em Português e 86%, em Matemática, conforme a Prova Brasil 2015. No Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos), estão no final da fila (59ª posição entre 70 países).
Tantas deficiências constituem dificuldades para prosseguirem nos estudos e acessarem aos melhores empregos e salários (isso mantém, em vez de romper, o ciclo da pobreza). Salvo exceções, serão vítimas ou autores da crescente violência (a cada 1% de aumento dos adolescentes, de 15 a 17 anos, na escola, os homicídios registrados em um município caem 5,8%, revela pesquisa do Ipea e FGV).
Na prisão (são 750 mil) custam, anualmente, R$ 21mil cada. Quando assassinados (foram 62. 517, somente em 2016), o custo é de R$ 550 mil cada, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal. Quer dizer: Em vez de ajudarem a sociedade, como no caso dos que recebem base educacional forte, custam progressivo aumento de impostos, e sem retornos, devido a prioridade educacional errada.
Não que apenas investir mais na Educação Básica garante o seu fortalecimento. Segundo o IDados, entre 2007 e 2016, o investimento dos Estados subiu, em média, 32% e dos municípios, 66%, mas melhoraram a infraestrutura e os salários, não a aprendizagem. É preciso, também, reescrever a escola brasileira, como minuciei noutro texto.
Talvez no Planeta Marte este debate seja desnecessário, mas nos países do Planeta Terra, especialmente no Brasil, é crucial.

