sexta-feira, 9 janeiro , 2026

Casos de HIV caem em Santa Catarina e especialista destaca importância da testagem

FOTO UniSul Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 5 minutos

Santa Catarina registrou queda nos casos de HIV e Aids entre 2023 e 2024, reforçando a importância da testagem, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento. Dezembro, mês de conscientização sobre HIV e Aids no Brasil, chama a atenção para a prevenção e o enfrentamento ao estigma, fatores decisivos para reduzir a transmissão e garantir qualidade de vida às pessoas que vivem com o vírus.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que, entre 2015 e 2024, Santa Catarina contabilizou 24.408 pessoas vivendo com HIV. A maior concentração está entre jovens de 20 a 29 anos, com predominância do sexo masculino. Em 2024, foram notificados 2.202 novos casos de HIV, uma redução de 12,7% em relação a 2023, quando houve 2.522 registros.

Diagnósticos de Aids também apresentam queda

O número de diagnósticos de Aids também diminuiu no período. Em 2024, foram registrados 1.161 casos, contra 1.254 no ano anterior, representando uma queda de 7,4%. A distinção entre HIV e Aids é fundamental: viver com HIV não significa ter Aids. A Aids corresponde ao estágio mais avançado da infecção, quando o sistema imunológico está mais comprometido.

A transmissão do HIV ocorre principalmente por relações sexuais sem preservativo, transfusão de sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes sem esterilização e da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Ampliação da testagem influencia números, aponta especialista

Para a professora do curso de Medicina da UniSul/Inspirali, Lettícia Rodrigues de Almeida Maurique, farmacêutica bioquímica, mestre e doutora em Ciências da Saúde, o aumento histórico de casos notificados está diretamente relacionado à ampliação da testagem.

“O crescimento da capacidade diagnóstica, a expansão da testagem em populações-chave e as campanhas de incentivo explicam boa parte do aumento das notificações. Ainda assim, é preciso analisar subgrupos específicos, por faixa etária, gênero e região, para entender possíveis mudanças reais nos padrões de transmissão”, explica.

Mortalidade por Aids segue em queda

Outro dado positivo é a redução da mortalidade por Aids. Em Santa Catarina, a queda foi de 46,7% entre 2013 e 2023, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com a especialista, esse avanço está ligado ao acesso ampliado aos antirretrovirais, à introdução de medicamentos mais modernos e menos tóxicos e ao início imediato do tratamento após o diagnóstico.

Ela destaca ainda o fortalecimento das redes de atenção e o uso crescente da prevenção combinada, incluindo a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), como fatores que contribuem para evitar casos avançados e complicações.

Estigma ainda é um dos principais desafios

Apesar dos avanços, barreiras persistem. O estigma e a discriminação continuam afastando pessoas dos serviços de saúde. Também pesam as desigualdades regionais, a baixa testagem regular em alguns grupos, dificuldades de adesão ao tratamento e o conhecimento insuficiente sobre estratégias preventivas.

No campo científico, porém, o cenário é promissor. A PrEP injetável de longa duração, como o cabotegravir, surge como alternativa para quem não se adapta ao comprimido diário. Pesquisas avançam em implantes, novos antirretrovirais, anticorpos monoclonais e vacinas, inclusive com plataformas como o mRNA.

Além disso, cresce o número de pessoas com carga viral indetectável que não transmitem o HIV por via sexual, conceito conhecido como U=U (Indetectável = Intransmissível).

Tratamento precoce salva vidas

Segundo Lettícia, os avanços transformaram o HIV em uma condição crônica manejável. “Com medicamentos mais eficientes e esquemas simplificados, a expectativa de vida se aproxima da população geral quando o tratamento é seguido corretamente”, afirma.

Ela reforça que iniciar o tratamento logo após o diagnóstico reduz a progressão da doença, diminui internações, mortalidade e praticamente elimina a transmissão sexual. “Testar é fundamental. Prevenir é possível. O tratamento salva vidas e impede a transmissão. Combater o estigma e buscar informação segura são passos indispensáveis”, conclui.

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