
Mirna Graciela
Tubarão
Uma comunidade assustada com a forte onda de criminalidade que se instalou no local. Trata-se da Área Verde, no bairro Passagem, em Tubarão. A redação do Notisul confirmou esta realidade na tarde de ontem. Os moradores têm medo de falar a respeito, mas não conseguem esconder a grande preocupação.
Em função desta situação, policiais civis e militares ‘montaram acampamento’ no bairro, como forma de combater a violência e levar mais tranquilidade à população. A delegacia móvel da 5ª Delegacia Regional de Polícia da cidade foi instalada em local estratégico, no foco da zona de conflito. A iniciativa faz parte do projeto “Mãos Amigas”, um trabalho conjunto com vários órgãos da sociedade, como Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Senac, Sesi, entre outros. Além da segurança, ações sociais serão levadas aos moradores.
O principal objetivo, segundo o delegado regional Renato Poeta, idealizador do projeto, é aproximar a comunidade do poder público e da polícia. E, com isto, sufocar o tráfico de drogas e conscientizar a população de que segurança pública não é somente assunto de polícia, mas de toda a sociedade. Os trabalhos serão executados 24 horas por dia, até a próxima terça-feira. O delegado Adriano de Almeida, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, revela que, após esta data, os policias não ficarão mais no local com esta frequência, mas que as incursões policiais serão constantes para proporcionar aos moradores a segurança que eles merecem.
Ações de violência são constantes
Alguns pontos da localidade da Área Verde, no bairro Passagem, têm sido palco de uma série de conflitos armados entre grupos rivais que disputam pontos de tráfico de drogas. O resultado desta disputa reflete diretamente nos crimes ocorridos na cidade de Tubarão. Dos 11 homicídios registrados em 2011, sete ocorreram nos últimos três meses. Disparos de arma de fogo são ouvidos constantemente pelos moradores do bairro, que acionam a Polícia Militar com frequência, mas sempre no anonimato. Em uma única noite, neste mês, quatro carros foram alvejados.
Dentro do projeto “Mãos Amigas”, executado desde ontem no local, as ações relacionadas à Polícia Civil são coordenadas pelos delegados da Central de Plantão Policial (CPP) de Tubarão, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) e da Delegacia Regional de Polícia de Tubarão, com policiais das 17 delegacias, e o apoio operacional da Central de Operações Policiais (COP) de Florianópolis.
Projeto Mãos Amigas oferece atividades sociais
Com a intenção de elevar a qualidade de vida e oferecer mais cidadania às famílias, várias ações sociais serão realizadas na Área Verde, no bairro Passagem, neste sábado, em uma integração das polícias civil e militar com a sociedade, por meio de diversos órgãos. Recuperação de ruas, iluminação pública, cortes de cabelo e atividades de lazer para as crianças, com recreação e cultura, são algumas delas.
O projeto também é levado ao bairro Jardim Floresta, a partir de hoje. “Vamos efetuar a recuperação das estradas de chão e de lajotas, ver a situação da drenagem e limpar as caixas coletoras. Além disso, os profissionais da Cosip vão revisar postes e lâmpadas”, explicou o secretário de infraestrutura, Nilton de Campos.
“Eles estão tomando conta do nosso lugar”, lamenta moradora
O delegado Adriano de Almeida, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, relatou que a equipe de policiais civis e militares foi bem recebida, ontem de manhã, pela população da Área Verde, no bairro Passagem. “Inclusive, alguns moradores elogiaram esta ação. São pessoas de bem, que desejam melhorias e a tranquilidade de volta”, destacou o delegado.
No entanto, estas pessoas que desejam ver a paz novamente estão amedrontadas, e muitas não querem se manifestar publicamente. É o caso de uma mulher de 32 anos. “Acho que estava na hora de dar um basta nisto. Eles (os traficantes) estão tomando conta do nosso lugar, que está perdendo a paz. Não conseguimos colocar a cabeça no travesseiro e ter um sono tranquilo. Não dá para saber o que vai acontecer no dia seguinte”, reclamou.
Outra moradora, uma senhora de 63 anos, estava de olho na ação da polícia, mas não quis conversar muito com a reportagem, a exemplo de muitos outros. Ela mora bem no foco do conflito. “Saio de casa, vou para o meu trabalho, volto do fim do dia, e me tranco aqui com minha família, não quero falar”, disse a senhora.