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Dia ‘quente’ no Hercílio Luz

Reunião entre a diretoria colorada, no fim da tarde de ontem, definiu a permanência do clube na disputa da Divisão Especial do Estadual.
Reunião entre a diretoria colorada, no fim da tarde de ontem, definiu a permanência do clube na disputa da Divisão Especial do Estadual.

Cleber Latrônico
Tubarão

A falta de café da manhã para os atletas e o cancelamento do treino marcado para o primeiro período do dia de ontem era o prenúncio de um dia complicado no Hercílio Luz. E a confirmação veio logo em seguida, quando o técnico Joceli dos Santos anunciou a sua saída do clube.

Mas o pior ainda estava por vir. À tarde, em uma reunião entre os atletas, comissão técnica e o gerente de futebol, André Barcelos, a bomba do dia explodiu. André anunciou que o clube desistiria de disputar a Divisão Especial do Catarinense e liberaria os atletas (que treinam no clube há 13 dias sem contratos assinados). André avisou que uma reunião com a diretoria, marcada para o fim da tarde, decidiria sobre os seus salários.

A decisão revoltou os atletas, que abriram mão de outras propostas para virem para atuar em Tubarão. Eles aguardaram a reunião sem deixar o Estádio Anibal Costa. Nervosos, poucos quiseram falar com a imprensa. E os que falaram pediram para não serem identificados, todos com as mesmas reclamações: amadorismo, desorganização e falta de planejamento.
Como previsto, às 17 horas, o presidente Michel Mussi reuniu-se com a cúpula colorada no estádio. Na saída, não quiseram falar sobre o que haviam decidido. E partiram para outra reunião, desta vez com os atletas, no vestiário.

A ‘raiz’ dos problemas

O anúncio da desistência do Hercílio Luz da segundona do Campeonato Catarinense foi motivado pela falta de patrocínios suficientes para suprir os gastos do time, inicialmente estimados em R$ 150 mil mensais. Mas o orçamento do clube não passa de R$ 75 mil.

Os dois jogadores com os salários mais altos são o goleiro Adílson e o atacante Felipe Oliveira. Cada um recebe uma média de R$ 3,6 mil. Ontem, nos bastidores, chegou-se a comentar que a diretoria iria propor uma redução dos salários aos atletas, informação não confirmada até o fechamento desta página, por volta de 22h40min.

A folha de pagamento dos jogadores, comissão técnica e funcionários do clube deve ser quitada no próximo dia 5. Mas alguns atletas reclamaram que haviam pedido adiantamentos, o que foi negado pelos diretores.
O grupo do Leão também mostra insatisfação com a estrutura do clube e condições de trabalho. Questões simples como falta de uniformes limpos para os treinos, reembolso de passagens e combustível, café da manhã (o caso de ontem) e até água são citadas com problemas.

Jogadores dizem que ficam, se Joceli ficar!

Após a reunião entre jogadores e diretoria, alguns atletas confirmaram o que o presidente do Hercílio Luz, Michel Mussi, havia informado antes, mas com uma ressalva. Eles afirmaram que ficam no clube, desde que o treinador Joceli dos Santos também permaneça.

Os jogadores reconheceram o esforço do mandatário colorado e disseram que ninguém sai se o clube cumprir as promessas, renovadas ontem à noite. E às 22 horas de ontem, um final feliz para a torcida, clube, jogadores e comissão técnica. Após uma reunião com Michel Mussi, que durou aproximadamente 2 horas, Joceli dos Santos garantiu que permanece no clube com todos os atletas. “Vou dar um voto de confiança ao presidente e ao clube”, avisou.

Diretoria convence atletas a ficarem, volta atrás, e decide disputar a segundona

Já era noite quando a diretoria do Hercílio Luz reuniu-se com a maioria dos atletas no vestiário do Anibal Costa. Em um encontro fechado para a imprensa, os jogadores puderam expressar suas insatisfações e reivindicações aos cartolas do Leão.

A reunião durou aproximadamente uma hora e terminou, pelo menos provisoriamente, com um final feliz para o clube. O presidente hercilista, Michel Mussi, confessou alguns equívocos.
“Agimos com amadorismo para um time que disputará um campeonato profissional. Mas nossa obrigação é reconhecer e corrigir estes erros, e é por isso que estamos aqui. Os atletas chegarem para tomar café e não ter é de um amadorismo a toda prova”, reconheceu.

Contudo, o mandatário contornou a crise e pediu mais apoio. “Convencemos os jogadores e o técnico a ficarem. O que foi acordado de salários foi mantido. Estamos fazendo o possível, fomos ao comércio, nas indústrias, mas parece que a cidade não quer. Hoje, conseguimos contornar, mas salvador da pátria eu não sou. É preciso que a diretoria procure sócios. Todos precisam dar sua parcela de contribuição. Caso contrário, o futuro do Leão pode ganhar outro rumo”, avisou Michel Mussi.

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