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Chopin, Mazowsze e Bolshoi

Em janeiro de 1818, a Revista de Varsóvia publicava o seguinte texto: “O compositor desta dança, que apenas conta 8 anos, é verdadeiramente um gênio. Não só executa ao piano, com uma facilidade e um gosto notáveis, os trechos mais difíceis, como já compôs diversas danças e variações que enchem de espanto conhecedores e críticos, sobretudo se considerar a pouca idade do autor. Se tivesse nascido na Alemanha ou na França, já se teria celebrizado por todos os países do mundo. Possa este artigo lembrar que o nosso país também é suscetível de produzir os seus gênios. Bastaria, muitas vezes, apontá-lo à atenção do público para os tornar conhecidos”.
O texto referia-se a Frédéric Chopin, nascido em Masóvia (versão latina de Mazowsze) há exatos 200 anos, natalício que será comemorado nesta segunda-feira, 1º de março.

Durante a solenidade de inauguração do moderno complexo da Companhia de Dança, Canto e Música Mazowsze, foi apresentado um vídeo emocionante, retratando a viagem sentimental que Arthur Rubinstein fizera à sua Polônia quando completou 92 anos, depois de mais de 50 anos de sua fuga do nazismo. Sobre Chopin, ele escreveu, certa vez: “Um gênio de enlevo universal. Sua música conquista as mais distintas audiências. Quando as primeiras notas de Chopin soam por entre o salão de concerto, há um feliz suspiro de reconhecimento. Mesmo nesta era atômica abstrata, onde a emoção não está na moda, Chopin perdura. Sua música é a linguagem universal da comunicação humana. Quando eu toco Chopin, eu sei que falo diretamente para os corações das pessoas!”.

Ao lado de República Tcheca, Alemanha, França, Coreia do Sul, Suécia, Rússia, Itália e Bíelo-Rússia, Santa Catarina será o único estado brasileiro a participar das comemorações dos 200 anos do pianista e compositor polonês. Sabe por quê? Porque agora temos, em Criciúma, o Instituto de Canto e Danças Folclóricas Mazowsze no Brasil, a única filial fora da Polônia!
O Mazowsze (pronuncia-se “Mazóviche”), responsável por magníficos espetáculos coreográfico-musicais, alegres, coloridos, acrobáticos, afinados e refinados, é um dos melhores grupos de dança e canto folclóricos do mundo, um verdadeiro Bolshoi da dança folclórica.

Graças ao empenho, dedicação e comprometimento de pessoas como a Diretora da Escola, Iara Gaidizinski, e aos recursos do Fundo Cultural as aulas do Mazowsze de Criciúma iniciam ainda no primeiro semestre deste ano, para transformar muitas de nossas crianças em artistas de nível internacional.

Como dizia a citada Revista de Varsóvia, Santa Catarina também é suscetível de produzir os seus gênios. Basta propiciar-lhes os meios e as oportunidades.
Exemplo disso nos dão a baiana Mariana Gomes e os catarinenses Luciana Voltolini, Felipe Pinheiro, Denise Hoefle e Marcos Lima. Formados no Bolshoi, Mariana é a única estrangeira no Bolshoi, da Rússia; Luciana atua no Boston Ballé; Felipe na Ópera de Viena; Denise e Marcos, no Mazowske.
Sem nenhuma dúvida, estou certo que, daqui a outros dez anos, o Mazowsze de Criciúma também estará enviando astros do canto e da dança para as melhores companhias dos cinco continentes!

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