A Polícia Federal (PF) apontou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido vantagens indevidas do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação consta na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7), em Brasília.
Segundo a investigação, o parlamentar seria o “destinatário central” dos benefícios supostamente pagos por Vorcaro. A defesa do senador nega irregularidades e afirma que ele não participou de atividades ilícitas.
Emenda teria sido entregue em envelope
De acordo com a PF, Vorcaro enviou ao senador um envelope contendo o texto de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central.
O documento previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ainda conforme os investigadores, o texto teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master.
A PF afirma que a proposta apresentada por Ciro Nogueira reproduziu integralmente o conteúdo enviado pelo banco. Após a apresentação, mensagens atribuídas a Vorcaro indicariam que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Suspeita de favorecimento e vantagens
As investigações apontam que o senador teria utilizado o mandato para beneficiar interesses privados. Entre as supostas vantagens indevidas estão:
– Pagamentos mensais
– Compra de participação empresarial com desconto elevado
– Pagamento de despesas pessoais
– Uso de bens de alto valor
– Indícios de recebimento de dinheiro em espécie
Além disso, a PF identificou a circulação de minutas de projetos legislativos de interesse do empresário na residência do senador.
Em outro episódio citado, documentos teriam sido retirados da casa de Ciro Nogueira em 2023 para revisão e posterior envio ao gabinete parlamentar.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa do senador afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude” e reforçou que ele não teve participação nos fatos investigados.
Os advogados também declararam que o parlamentar está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e questionaram a adoção de medidas investigativas com base em trocas de mensagens de terceiros.
A investigação segue em andamento, e as autoridades devem apurar as circunstâncias e responsabilidades no caso.

