Maycon Vianna
Tubarão
Os moradores do bairro Morrotes, em Tubarão, estavam de luto na tarde de ontem. O motivo das lágrimas foi a morte do eletricista Ricardo Cipriano Diomar, 28 anos. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) há dez dias e não resistiu aos graves ferimentos na cabeça.
A causa da morte foi politraumatismo craniano. “A maneira mais covarde de se perder um filho é quando ele é agredido e não tem direito a reação. Estou triste. Não consegui nem ir à missa e ao enterro. Tiraram a vida de um inocente”, emociona-se a mãe de Ricardo, Delise Cipriano.
O eletricista era pai de uma menina de cinco anos e envolveu-se em uma confusão no Beco do Quilinho, no dia 28 do mês passado, com policiais militares. A comunidade alega que os soldados supostamente teriam agredido Ricardo (Veja ao lado). “É uma dor muito grande. Ele era uma pessoa querida em todo o bairro. Há uma lacuna na nossa família”, diz o pai, Sebastião Diomar, 53 anos, com o rosto tomado pelas lágrimas.
Cerca de 200 pessoas compareceram ao velório de Ricardo, realizado na sua casa. Familiares, amigos e populares protestaram e clamaram por justiça. “Esperamos que o tipo de abordagem dos policiais mude após esta tragédia. No Morrotes, a Polícia Militar não será mais bem vista até que provem que estão aqui para nos trazer segurança”, desabafa um morador.
Entenda o caso
Familiares do eletricista Ricardo Cipriano Diomar, 28 anos, reclamaram de uma suposta abordagem dos policiais que participavam da operação Choque de Ordem. O fato ocorreu às 23h30min do dia 28 do mês passado. Ricardo jogava cartas em um bar quando foi chamado para ajudar a companheira e a enteada, de 17 anos.
Elas eram abordadas pela PM. É neste momento que Ricardo teria sido supostamente espancado pelos policiais. Ele foi levado ao Hospital Nossa Senhora da Conceição com parada respiratória e ficou por dez dias na UTI, onde veio a falecer, ontem de madrugada. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão, tenente-coronel Silvio Ricardo Alves, soube da notícia no desfile cívico. Ele lamentou o ocorrido e reafirmou que o inquérito para apurar os fatos é minuciosamente elaborado. A mãe da vítima, Delise Cipriano, prestará depoimento na Central de Polícia Civil amanhã.

