Vivemos numa época de profundas transformações, onde tudo passa muito rápido, e é preciso estar atentos às mudanças. A cada momento, milhares de informações surgem e uma grande parcela da população tem acesso a isso, pois afinal o Google está aí.
Devido a essas transformações, nosso país também está num ritmo de desenvolvimento considerável, apesar de ainda estar deixando a desejar em muitos aspectos. As promessas são de que em breve chegaremos entre os grandes, já que somos a sexta economia do mundo.
Mas há controvérsias em muitos pontos dessas promessas começando pelo drama da educação, já que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o salário médio do docente do ensino fundamental em início de carreira no Brasil é o terceiro mais baixo do mundo, no universo de 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento. O salário anual médio de um professor na Indonésia é US$ 1.624, no Peru US$ 4.752 e no Brasil US$ 4.818, o equivalente a R$ 11 mil. Na Argentina, por sua vez, os professores recebem por ano US$ 9.857, cerca de R$ 22 mil, exatamente o dobro. Por que há tanta diferença?
Partindo desses números, comparo a construção do nosso país a um prédio sendo construído de baixo para cima. Para que um edifício seja seguro, é necessário que se planeje muito bem a sua construção, desde os profissionais que o construirão até o acabamento. E, para isso, o alicerce deve ser muito bem feito, afinal, ele é a base de toda a construção, se for mal feito, tudo estará comprometido.
Nosso país tem avançado muito sim, somos referência em vários pontos, mas vejo uma falta enorme de pensadores, de gente que leia, que valorize a cultura e o espírito crítico. As músicas, por exemplo, são reflexo dessa falta de interesse pelas mudanças. Renato Russo, da banda Legião Urbana, já cantava ainda na década de 80 “que país é esse”, pelos problemas que já existiam, e pergunto-me o que ele cantaria hoje se estivesse vivo, vendo que, enquanto naquela época eles cantavam o país que desejavam, hoje muitos cantam “eu quero tchu”.
Há pouco tempo, não tínhamos o acesso às informações que temos hoje, porém, é como se estivéssemos queimado etapas. Muitos se tornaram excelentes na arte de usar a internet, ao mesmo tempo em que talvez nunca leram um livro sequer. Percebe-se que cada vez mais há pouco interesse pela leitura, pois muitos dão um jeito de comprar um celular que custa em torno de R$ 800,00, por exemplo, mas acham caro um livro de R$ 30,00. Tornamo-nos cada vez mais presa fácil nas mãos dos poderosos, pois, sem conhecimento, fica cada vez mais presente no meio de nós a política do “pão e circo”.
Nem precisa ficar aqui repetindo que a solução para isso é investir em educação, pois em todos os países desenvolvidos esse foi o caminho percorrido, e por aqui está se fazendo o contrário, já que em vez de formarmos pensadores, trabalha-se para formar pessoas excelentes em matéria de obedecer.
Quero concluir meu texto com outra música do Renato Russo, que já falava do assassinato do espírito crítico que havia em tempos passados, como nos cara-pintadas, por exemplo, que saíram às ruas e gritaram o inesquecível “Fora Collor” que funcionou e ”para a nossa alegria” ele saiu, mas agora devido à falta de reflexão ele voltou “para a nossa tristeza”.
Legião Urbana cantava esses versos que nos fazem refletir:
“Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem. Tudo é dor, e toda a dor, vem do desejo, de não sentirmos dor”.
Busquemos a leitura, a busca pelo conhecimento, e com certeza, recuperaremos essa nossa coragem que está apagada.

