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Corrupção e Protagonismo Social

D esde o início deste ano o país tem sido assolado por escândalos. Corrupção generalizada, inépcia na gestão pública e inércia política completam o quadro que leva a economia ao colapso e paralisa a nação. Estes fatos nos incitam ao posicionamento a favor ou contra aquele ou este representante ou partido político. O posicionamento parece uma consequência natural do ativismo.

Entre denuncias e apatia política aplaudimos atônitos algum político (cada vez mais raro), juiz ou gestor público que exerce com esmero a sua função – fazendo simplesmente o que lhe manda o dever.

Neste cenário parece cada vez mais difícil escolher políticos e lideranças que nos representem, devido à falta de lisura, competência ou simplesmente ausência de propostas coerentes. Acontece que a saída não está apenas na escolha de bons políticos, via eleições. 

Na sua peça, sobre a inquisição de Galileu Galilei, Bertold Brech escreve “Triste é o povo que precisa de heróis”. É verdade! Quer gostemos ou não, os que aí estão envolvidos na política são uma amostra representativa do que somos, afinal eles não vieram de outro país. Não conseguimos incorporar no nosso comportamento diário o que esperamos de nossos heróis, no caso nossos políticos. As frases (tantas vezes ditas) de que o estudante que não cola não sai da escola, que o político que enriquece de forma ilícita apenas “dança conforme a música”, que o policial que nos multou deveria estar prendendo bandido, ainda não nos chocam. Sim, é verdade! Não temos vergonha quando saímos do carro estacionado na vaga exclusiva, o político corrupto não se sente rejeitado quando frequenta os círculos sociais e nos sentimos orgulhosos quando nossas negociações nos trazem vantagens que lesam outras partes.

Sem sombra de dúvidas devemos continuar protestando e pressionando nossos políticos e representantes, sejam eles do executivo, legislativo ou judiciário, mas nenhum líder carismático virá nos salvar. Não há saída mágica. A democracia não precisa de heróis, precisa sim de uma sociedade protagonista da sua história. Uma sociedade que exige e exerce os mesmos direitos e deveres que quer que seus representantes se submetam.

Se no passado uma sociedade consciente e participativa era uma utopia, hoje, no entanto, não há outra saída. Cada um de nós deve atuar de forma ética e participativa para construir a mudança que desejamos. Quanto mais exercemos a ética e a cidadania, maiores são as chances de criarmos representantes que reflitam uma sociedade justa e próspera. Maiores também são as chance de que os atuais representantes se envergonhem quando estiverem no meio do povo, pois sentirão que não estão em sintonia com os anseios e, principalmente, com o comportamento da maioria.

 

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