O relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou nesta quarta-feira (5) pedidos de convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além da quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal da investigada.
Os requerimentos ainda serão analisados pela comissão.
Contrato com banco motiva pedidos
Segundo o senador, os pedidos têm como base um contrato firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões.
No requerimento apresentado à CPI, Vieira afirma que o montante seria incompatível com os serviços jurídicos prestados.
“A magnitude de tais cifras apresenta uma desconexão manifesta com a prática de mercado para o tipo de serviço prestado, sugerindo que o contrato possa constituir um negócio jurídico simulado”, argumenta.
Suspeita de origem ilícita dos recursos
O senador também menciona investigações da Operação Carbono Oculto, que, segundo ele, apontariam que o Banco Master teria sido capitalizado por meio de fraudes e recursos oriundos do tráfico de drogas, supostamente operacionalizados por meio da gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust.
Com base nesses elementos, Vieira sustenta que há indícios de que os pagamentos ao escritório de advocacia possam ter origem ilícita.
“Há, portanto, fundados indícios de que os vultosos pagamentos tenham origem em recursos ilícitos, o que pode configurar, em tese, o crime de lavagem de dinheiro”, afirma, citando a Lei nº 9.613/1998.
Cronologia levanta questionamentos, diz relator
Outro ponto destacado no pedido é a constituição de uma nova banca de advocacia em Brasília, em 22 de setembro de 2025, cerca de dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do mesmo ano.
Para o senador, essa sequência temporal “reforça a suspeita de manobras de estratificação patrimonial”.
Possível tráfico de influência
No documento, Alessandro Vieira também defende que o fato de os pagamentos ao escritório terem sido tratados como prioridade pelo CEO do banco, em detrimento de outros credores, exige esclarecimentos.
Segundo ele, isso pode indicar, em tese, tráfico de influência ou exploração de prestígio junto a instâncias superiores do Poder Judiciário e à cúpula da administração pública.
Aguardada manifestação dos citados
A CNN, que divulgou inicialmente a informação, informou que procurou o ministro Alexandre de Moraes e o escritório de Viviane Barci de Moraes para comentar os requerimentos, mas ainda aguarda posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação das partes citadas.

