Wagner da Silva
Braço do Norte
Apesar de toda a expectativa criada em torno da entrega do relatório da CPI da Ponte, na câmara de vereadores de Braço do Norte, o ato não passou do protocolo e não trouxe grandes novidades. O vereador-relator, Cléber Manoel da Silva (PP), limitou-se a entregar, ao presidente do legislativo, Ronaldo Fornazza (DEM), o documento que investiga as supostas irregularidades na construção e na reforma da ponte alta mista que beneficiaria a localidade de São José, interior do município.
Cléber afirma que não queria fazer alarde sobre a questão, mas anuncia: se o legislativo não denunciar o caso ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado e da União, ele mesmo o fará. “Há inúmeros atos divergentes que deixam dúvidas no processo e precisam ser esclarecidos. Entre eles, estão a falta de documentos, pré-acordos de valores e beneficiamento de uma empresa na licitação”, discorre Cléber.
Segundo ele, há três pagamentos efetuados pela prefeitura em menos de dois meses (dois no valor de R$ 35 mil e um de R$ 17.192). Outro pagamento, de R$ 47.922,33, cujo valor supostamente seria destinado à recuperação da ponte, também chamou a atenção do vereador-relator.
Cléber afirma que a cifra foi justificada na prestação de contas, mas a reforma não foi concluída. “No papel, está como se a ponte tivesse sido concluída, o que não ocorreu. Além disso, o preço para levantar dois pilares é mais da metade do valor da obra concluída”, detalha.
No total, 32 pessoas entre técnicos e funcionários da prefeitura são citados no relatório da CPI da Ponte. “No período da licitação, três pessoas ocuparam o cargo de prefeito e assinaram os atos. Temos que agir com imparcialidade, tanto que o documento esclarece os fatos, mas não aponta culpados. Até porque isto é competência exclusiva do judiciário”, enfatiza.
Vereador é contra o relatório
Na entrega do relatório da CPI da Ponte, o vereador Salésio Meurer (PSDB) demonstrou novamente a sua contrariedade à forma com que foram executados os trabalhos de investigação. Segundo ele, as pessoas envolvidas deveriam ser chamadas. “Por que não ouviram estas pessoas?”, questiona Meurer.

