quinta-feira, 19 fevereiro , 2026

Crack: Sobram dependentes, faltam vagas

Carolina Carradore
Tubarão

Márcio* tenta desde a infância livrar-se da dependência química. O desespero maior que enfrentou foi quando pediu para ser internado e não conseguiu vaga nas clínicas e hospitais da região. No limite da sanidade, cortou os pulsos em frente ao Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, para chamar atenção e, enfim, conseguir tratamento. A história de Márcio mostra a realidade da região: a falta de lugar apropriado para dependentes químicos.

O psiquiatra Bráulio Térsio Scobar é claro: falta vaga para atender os usuários de drogas. “Dos poucos lugares que tem, nem todos são apropriados, pois precisam de profissional qualificado para realizar o tratamento. Não basta apenas trabalhar o lado espiritual”, alerta. E tem ainda o problema da crise de abstinência que pode ocorrer nos primeiros dias de internação, o que torna inevitável a presença de um médico.

Especialista em dependência química, o psiquiatra Marcos Zaleski sabe o quanto é difícil encontrar um lugar adequado para a internação e esclarece: o período de isolamento para evitar uma recaída tem que ser pelo menos três meses. “A rede pública é falha e as clínicas são insuficientes. Somente agora que o governo está se dando conta do consumo desesperador do crack ”, completa.

A luta pela recuperação

Internado há 17 dias no Movimento Porta Aberta, entidade filantrópica que atende dependentes químicos em Tubarão, Márcio* espera ficar longe do crack para sempre. É a quinta vez que é internado. “Todas às vezes fui parar em outros estados. Só agora que consegui ficar na cidade onde moro”, conta.

Passou a ingerir álcool aos 8 anos e, na adolescência, as drogas eram mais pesadas e injetáveis. O crack foi o fundo do poço para o profissional liberal, hoje com 40 anos. “Muitas vezes, gastei mais de R$ 500,00 fumando crack em uma noite. Já fui preso várias vezes por roubo, tudo para sustentar o vício”, lamenta.
Chegou a ficar dois anos “limpo”, mas bastou apenas um pequeno contato com álcool para o vício voltar, e ainda mais forte. “Tem muita gente em Tubarão, principalmente mulheres, que precisam de ajuda e não há lugar para tratamento. É um problema sério”, alerta.

José*, 33 anos, também tenta livrar-se do vício no Movimento Porta Aberta. Usuário de droga desde os 17 anos, já vendeu objetos pessoais, tudo que tinha em casa, para sustentar o vício. A situação ficou pior quando deixou de pagar luz, água e comprar comida para a mulher e os dois filhos. Internado há 90 dias, espera continuar a trabalhar na entidade como monitor e voltar ao convívio familiar, longe das drogas.

* Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.

Caps-AD não conseguirá atender toda a demanda

A instalação do Centro de Atenção Psicossocial a Usuários de Substância (Caps-AD) em Tubarão poderá amenizar o problema da dependência química, mas não suprirá toda a demanda. Localizado no bairro Passagem, atenderá dependentes químicos que não necessitam de internação imediata.

O local está equipado, mas a prefeitura ainda não tem data para inauguração. “Vamos fazer uma triagem dos pacientes e depois dividi-los em grupos para realizar tratamento com apoio da família para evitar a internação”, adianta o psiquiatra Bráulio Scobar, coordenador do Caps AD. Apesar da importância da criação do centro, Bráulio sabe que não será possível atender toda a demanda. “O consumo de drogas de Tubarão nunca esteve tão complicado, precisamos de mais lugares adequados. O governo tem que fazer alguma coisa urgente”, pede.

Comad defende ações integradas

Priscila Alano
Tubarão

De acordo com o presidente do Conselho Municipal Anti-Drogas (Comad), de Tubarão, Antônio Carlos Milioli, a entidade luta para que sejam desenvolvidas ações integradas entre os órgãos que atendem os dependentes químicos. Atualmente, as ações são realizadas independentes, e a maioria dos usuários que passam pelas clínicas de recuperação tem recaída.

“As ações precisam ser realizadas integradas. O dependente passa por uma clínica, faz a limpeza, mas, quando sai, retorna para o seu local de origem, como a Comasa, Área Verde, entre outros locais onde pode encontrar as drogas facilmente”, afirma Antônio Carlos.

O município não tem uma estrutura adequada para os usuários, que são muito mais do que os espaços disponibilizados para internação e recuperação. “O poder público deve investir na estrutura existente. A cada dia surgem novos usuários. Há a necessidade de realizarmos trabalhos consorciados”, reafirma Milioli.
No Movimento Porta Aberto, em Tubarão, os dependentes químicos ficam pelo menos cinco meses na casa. Ao receberem alta, são orientados a frequentar os grupos de ajuda, como os Narcóticos Anônimos e os Alcoólicos Anônimos.

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