Maycon Vianna
Laguna
Familiares, amigos, professores e até os secretários da prefeitura de Laguna foram surpreendidos com a notícia. Luiza Nascimento Fernandes, de apenas 2 anos, morreu por volta das 2 horas de ontem, após ser diagnosticada com suspeita de meningite. Ela foi internada nesta terça-feira, às 10h40min, no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e encaminhada à UTI Neonatal.
É o segundo caso confirmado da doença em menos de dois meses na Cidade Juliana. O outro ocorreu em outubro, coincidentemente, as duas crianças estudavam no Centro de Educação Infantil Professora Laureni Vieira de Souza, na comunidade da Vila Vitória. As aulas foram suspensas temporariamente e os técnicos da vigilância epidemiológica e da gerência de saúde do estado estiveram no local no fim da manhã de ontem.
“A meningite pode ser contraída em qualquer lugar, não especificamente os alunos da creche estavam com a doença. É preciso tomar cuidado ao fazer qualquer tipo de afirmação. A imunidade da vítima poderia estar baixa, enfim, é preciso investigar a causa”, avisa o secretário de saúde da prefeitura, Luiz Felipe Remor.
Segundo a enfermeira técnica da vigilância epidemiológica em Tubarão, Helena Caetano Gonçalves, quando chegou ao hospital, o quadro de saúde de Luiza era grave. “Não houve tempo hábil para reagir ao tratamento medicamentoso e nem para conhecer os resultados específicos dos exames. Possivelmente, foi um caso mais grave, talvez muito avançado, já com petéquias, a meningite evoluiu rapidamente”, confirma Helena.
Logo após o óbito, foi recolhido material biológico da vítima e encaminhado para a análise do Laboratório Central (Lacen), em Florianópolis, para saber qual o tipo da doença, para cada meningite existe um tratamento específico. O resultado deve sair em cinco dias úteis.
Integrantes dos órgãos de saúde estão mobilizados
A manhã de ontem foi movimentada para os enfermeiros e técnicos da vigilância epidemiológica de Laguna. Em reunião realizada com os integrantes dos órgãos de saúde municipal e estadual, algumas formas preventivas contra a meningite foram analisadas. “Entramos com medidas de precaução. Em princípio, não tem ligação com o outro caso da doença registrado em outubro. Vamos analisar um possível tratamento com quimioprofilaxia para as crianças e professores da creche”, destaca a enfermeira da vigilância epidemiológica de Laguna, Andressa da Silva.
O secretário de educação e esportes da prefeitura, Luís Fernando Schiefler Lopes, confirma que este novo caso de meningite no CEI Professora Laureni Vieira de Souza é uma triste coincidência. “Estamos abalados, a família é bem próxima, a mãe da vítima é professora da creche. Por enquanto, não temos condições emocionais de retomar as aulas. Agora, é esperar o resultado dos exames e planejar providências preventivas”, prepara Luís Fernando.
Tratamento da quimioprofilaxia
A droga utilizada é a Rifampicina. A Aplicação deve ser feita somente nos casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae.
No caso da doença meningocócica, a aplicação da Rifampicina deve ser feita de imediato, no máximo até dez dias após.
No caso da meningite por Haemophilus, o prazo para aplicação é de 30 dias. É importante que sejam observados, no período de um mês, todos os comunicantes de um caso de doença meningocócica, visando diagnosticar e tratar precocemente outros casos que possam vir a correr.
Devem ser considerados contatos íntimos, pessoas que frequentemente comem e dormem no mesmo ambiente que o doente, compartilham o mesmo domicílio ou tenham tido relações sexuais e prolongadas com o paciente.
Complicações da meningite
• necroses profundas com perdas de substância;
• necroses profundas com perdas de substância;
• surdez parcial ou completa;
• miocardite, pericardite;
• complicações da área neurológica: paralisias, abscesso cerebral, hidrocefalia, artrite.

