A crise do metanol no Brasil completou um mês nesta segunda-feira (27) com 58 casos confirmados e 15 mortes por intoxicação decorrente do consumo de bebidas adulteradas. O surto começou em 26 de setembro e mobilizou autoridades de saúde, segurança e vigilância sanitária em todo o país.
Origem da contaminação
Investigações apontam que a contaminação ocorreu devido à falsificação de bebidas, nas quais foi utilizado álcool combustível adulterado com metanol. O produto foi rastreado até postos no ABC paulista, descobertos pela Polícia Civil de São Paulo em 17 de outubro.
As bebidas falsificadas foram distribuídas em diferentes estados, com casos confirmados principalmente em São Paulo, Paraná e Pernambuco. Ainda há notificações em investigação em outras regiões, como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Resposta das autoridades
Desde os primeiros casos, o governo de São Paulo montou um gabinete de crise para coordenar as ações de enfrentamento. Hospitais de referência foram mobilizados em vários estados e receberam etanol farmacêutico e o antídoto fomepizol para o tratamento dos pacientes intoxicados.
O Comitê Federal de Crise foi criado em 7 de outubro para unificar as medidas de resposta. A testagem de amostras foi acelerada com o apoio dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) e do Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (Latof) da USP, em Ribeirão Preto.
No dia 8 de outubro, o Instituto de Criminalística de São Paulo confirmou que o metanol encontrado nas garrafas era adicionado de forma proposital, com concentração muito acima do esperado em processos naturais de destilação.
Impactos e novas tecnologias
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o consumo de bebidas alcoólicas caiu cerca de 5% em setembro por causa da desconfiança dos consumidores.
Em resposta à crise, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um “nariz eletrônico”, tecnologia capaz de detectar a presença de metanol em bebidas com apenas uma gota da amostra.
“O equipamento transforma aromas em dados e usa inteligência artificial para reconhecer a assinatura química de cada bebida”, explicou o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática da UFPE.
Situação atual e investigações
O boletim mais recente, divulgado na sexta-feira (24), aponta 58 casos confirmados, 50 em investigação e 635 descartados. Entre as mortes confirmadas, nove ocorreram em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco. Outras nove ainda estão sob análise.
As investigações policiais continuam para identificar toda a cadeia de produção e distribuição das bebidas adulteradas. Segundo o delegado-geral Artur Dian, o primeiro ciclo de apurações foi encerrado com a localização dos postos e distribuidores envolvidos, mas novas diligências estão em andamento.
Medidas legislativas em discussão
A crise também chegou ao Legislativo. Em São Paulo, uma CPI municipal começa nesta terça-feira (28) para apurar as responsabilidades na falsificação de bebidas.
Na Câmara dos Deputados, deve ser votado nesta semana o Projeto de Lei 2307/07, que transforma a adulteração de alimentos e bebidas em crime hediondo.

