Em questão de liderança, a passagem da plateia ao palco é uma porta estreita. Por ela só passa quem estiver disposto a liderar. Mas não basta querer liderar, precisa conhecer e aplicar as técnicas da liderança, dentre as quais se inclui a delegação. É o que vamos ver hoje.
Mas, em que consiste a delegação? Fazendo parte do processo de gerenciamento parece óbvio que delegar não significa deixar que as pessoas – os liderados – façam o que bem entenderem. Não. Definitivamente, isso não é delegação. Isso é fraqueza ou falta de liderança.
Mister sejam traçados e delimitados os limites da delegação e o que se espera ao final do processo. No nosso caso, que todos estejam no palco e não na plateia. A experiência nos mostra que as pessoas produzem mais e são mais comprometidas quando recebem mais orientações, instruções e apoio de pessoas mais experientes, ou seja, de alguém que esteja em uma função hierarquicamente superior, principalmente na relação entre líderes e liderados.
Ora, na maioria das vezes se um liderado não é capaz de decidir sobre questões básicas, em tarefas a ele destinadas, na maioria das vezes houve falha na orientação pelo seu líder. O líder precisa dizer ao liderado como proceder em cada situação: “Se acontecer A, faça B. Se acontecer C faça D. Se acontecer E, faça F. É assim que se prepara um liderado para tomar decisões seguras e eficazes.
Entre as atribuições do gerenciamento está a delegação de poder adequadamente, para que cada liderado saiba que tarefas lhe cabem, deixando bastante claro o que recai sobre a autoridade dele e o que está fora de sua atribuição, equipando-o com as ferramentas e técnicas exigidas pela função. Isso é liderar. Isso é gerenciar. Delegar, no entanto, significa confiar no trabalho do delegado. Muitas vezes o líder delega, mas sai fazendo junto com o liderado, não acreditando que a tarefa vá ser realizada com eficácias.
Para delegar é preciso ter tempo. Não adianta pensar que com poucas instruções você conseguirá delegar o que precisa ser feito. Delegar sem ter o tempo necessário para acompanhar o liderado, significa que o líder não deseja o resultado, mas, só e tão somente quer livrar-se da tarefa, transferindo-a.
Vários outros sinais podem indicar que o líder não sabe repassar tarefas e que pode haver falhas na delegação quando: não prepara a equipe. Para que uma tarefa seja realizada com eficácia é preciso além de tempo, planejamento, ou seja: quanto tempo o liderado precisa para realizar a tarefa? Qual é o passo a passo e o modelo de como ele deve realizar a tarefa. Explicar o propósito da tarefa, o prazo e a sua importância. Outro ponto de fundamental importância consiste em dar conhecimento ao liderado de todo o processo, pois, conhecendo o todo saberá exatamente sua posição no empreendimento e o que dele se espera.
A perda de produtividade é a principal consequência quando uma tarefa é delegada e o líder não fica satisfeito com o resultado. Outro fator negativo é a impaciência. Muitos líderes estão acostumados a realizar tarefas sozinhos e por isso têm dificuldade em delegar. A falta de comunicação: é preciso ouvir. Ele precisa ficar ao lado da pessoa delegada e acompanhar o processo. Conversar e fazer perguntas para ver se ele entendeu tudo direitinho. Ouvir o liderado é de suma importância, assim o líder poderá aquilatar o grau de entendimento do liderado em relação à tarefa a ser delegada.
Falta de controle: não basta delegar. Ao preparar alguém para fazer uma tarefa é preciso ter um controle. Um dos efeitos positivos da delegação bem feita é que a equipe se capacita e auxilia na consolidação do negócio. Neste ponto, o líder pode acompanhar e verificar como a tarefa está sendo feita, e ele pode interferir em determinados momentos. A delegação é um processo e o líder só vai ganhar tempo quando ele estruturar isso. As metas precisam estar devidamente determinadas, com diretrizes nítidas e prazos concretos, repete-se.
Concluindo este tópico sobre a delegação percebe-se que delegação não é coisa para amador. É algo profundo, profissional, que exige muito cuidado, comunicação e suporte e sobretudo muita técnica. Com a prática, esse processo torna-se intuitivo, mas exige um tempo de aprendizado até que aconteça de forma adequada. Não basta dizer o que o outro precisa fazer.
Delegar é tão difícil, possivelmente por ser sempre o tema tratado com emoção, seja ela medo, a insegurança, a dificuldade de deixar o outro fazer a coisa de outra forma, a mania de perfeição, ou mesmo de achar que ninguém sabe fazer melhor o que “faço há tanto tempo”. O clima empresarial perfeito é aquele sem temores, ciúmes e rivalidades, onde os conflitos sejam resolvidos através da técnica de bem ouvir e do treinamento para líderes e liderados. Aí está o sucesso da empresa e dos seus colaboradores.
Dentro dos parâmetros claramente definidos, um subordinado, um liderado direto tem poder. Esse poder é limitado? Sim, mas se a delegação for bem feita e perfeitamente entendida pelo liderado, fará com que todos atravessem a porta estreita da delegação em busca de um lugar seguro no palco.