Na difícil travessia da plateia ao palco, o líder precisa enfrentar situações incômodas, pois se é difícil ser um líder forte e justo, também o será se optar por ser “bonzinho” e por consequência, fraco.
Há liderado que prefere ter um líder ou chefe “bonzinho” que não briga, faz vista grossa para tudo, não critica e nem reclama. Para quem pensa assim este é o ideal, o mundo perfeito.
Entretanto, quem assim pensa esquece que este mesmo líder ou chefe não lhe estimula a crescer, não lhe ajuda a evoluir como profissional e, o pior de tudo, não é justo.
Entretanto, ser bonzinho é uma praxe adotada por muitos líderes, preferindo não saber o que está acontecendo, não dando feedback sobre o desempenho do liderado, não treinando, não resolvendo conflitos, reservando-se à aplicação de sanções, muitas vezes severas, quando não há mais a possibilidade de agir na prevenção, usando a autoridade de forma errada, pois não teve o cuidado de gerenciar ou de liderar adequadamente.
Na verdade, o líder que assim procede está apenas livrando-se do confronto e, por consequência, do desconforto de estar no meio do fogo cruzado entre liderado e o superior imediato, recusando-se a assumir responsabilidades e nisso não são nada bonzinhos.
O chamado “líder bonzinho” há de estar atento, pois suas atitudes são facilmente percebidas por seus superiores, que na maioria das vezes o têm como líder fraco. Ele também é observado por seu liderado, que para estabelecer um bom nível de convivência com os colegas o requisito necessário é simplesmente criticar o chefe.
Difícil acreditar que um liderado possa gostar de um líder assim. O ideal é a aplicação de tratamento correspondente à necessidade e maturidade de cada liderado, pois os desiguais devem e na maioria das vezes querem ser tratados de forma desigual, na medida de sua desigualdade. (Aristóteles, filósofo grego, 384 a 322 aC.).
As pessoas são diferentes. Geralmente, nas equipes encontramos profissionais bons e ruins; comprometidos e desinteressados; competentes e incompetentes, o que torna impossível tratar a todos de forma igual, somente para ser “bonzinho” para com todos.
Mas apenas líderes sabem identificar essas diferenças e tratar cada liderado de forma apropriada (e justa). Os chefes não possuem esse talento, olham para todos ora como subordinados, ora como “amigos”. E isso cria um desconforto tremendo nos bons liderados da equipe.
Se o líder estiver atento, perceberá claramente o bom liderado como alguém que se dedica, compromete-se, envolve-se e quer sempre alcançar o melhor resultado, tendo como foco o cliente. Sua vontade de entregar um bom produto é tão grande que não mede esforços para se empenhar nas suas atribuições. Um profissional dessa categoria não precisa (e nem deve) ser comandado, ele não precisa que digam o que e, principalmente, como ele deve realizar suas tarefas, pois ele já sabe fazer (e muito bem).
O que ele precisa é de alguém para seguir, liderar, motivar, inspirar e treinar, se for o caso. Um líder que o estimule, apóie, aponte suas falhas, ajude-o a crescer e valorize seu empenho por meio dessas atitudes e não de “tapinhas nas costas”.

