Há aqueles que defendem a tese de que o bom líder nasce líder. Que aqueles que nascem sem o perfil da liderança estão fadados ao insucesso quando precisarem liderar.
Respeitando as ideias contrárias, estamos diante de um mito, pois liderança é virtude e não dom. Sendo virtude qualquer pessoa pode aprender a liderar em determinadas situações, mesmo porque não se é líder em tudo e nem em todo o tempo, pois a liderança é circunstancial. Quem não ouviu falar que o cavalo passa encilhado uma única vez. Então, liderança também é questão de oportunidade.
Acreditar que o líder nasce líder é o mesmo que acreditar que ninguém é capaz de aprender a liderar, bastando ter nascido talentoso. Aliás, referir-se a alguém dizendo que tem o dom da palavra, da oratória, pois nascera com tais talentos, significa dizer que referido líder não tem qualquer mérito, pois nasceu com muita sorte, um escolhido por Deus, por isso nada aprendeu.
Quem não joga em loterias jamais terá a sorte de ganhar um “Grande Prêmio” e isso não é falta de sorte. É notório que quanto mais se treina mais sorte se tem em determinada função, mesmo em se tratando da arte da liderança. Sim, liderança é uma arte, pois o líder é aquele que vai além do óbvio, e isso é arte.
Uma coisa é comum em qualquer tipo de líder, uma insatisfação positiva, do querer mais e melhor, seja ele o treinador de uma equipe; orientador espiritual; gerente de departamento; professor, etc.
Assim, espera-se do líder que ele seja sempre contrário ao óbvio, pois, na lição de Guimarães Rosa, líder satisfeito, dorme. A verdade é que muitos líderes natos não são gerentes maravilhosos, ao passo que excelentes líderes podem estar entre aqueles que aplicam técnicas comprovadas até que se tornem uma aptidão e continuam praticando até virarem hábito.
É fácil compreender que há uma habilidade nata em algumas pessoas tais como: carisma, ser bom ouvinte, ter grande capacidade de discernimento em meio aos conflitos, iniciativa para resolver conflitos; saber estimular as pessoas a dar o seu melhor, dar o seu exemplo fazendo aquilo que solicita às pessoas. Mas há os que aprendem ao longo da vida, aperfeiçoando o que a natureza deu ou aprendendo uma nova habilidade.
Carlos A. Correia, autor do blog Técnicas de Composição, fez um artigo muito interessante, no qual comenta sobre os diversos processos de composição, e chama a atenção de que Mozart e Beethoven, grandes gênios da música, só alcançaram o seu nível musical a partir de muito estudo, trabalho e do ambiente ao qual se expuseram.
Rodrigo S. Ferreira, em seu “Os 3 Princípios Universais da Liderança” diz que a liderança é uma habilidade inata, mas há os que aprendem ao longo da vida, bastando que se aplique o que ele chama de princípios universais da liderança, aplicáveis em ambos os casos, ou seja tanto para aqueles líderes natos quantos aos líderes forjados.
Veja o caso de Obama, negro, descendente de muçulmanos, aos 10 anos morava no Havaí com a avó, quando disse: vó eu vou ser presidente dos Estados Unidos. A vó disse: Sim, você vai.
Tendo passado por várias experiências, aprendi, ao longo da vida, que quase todo mundo pode se tornar um líder deixando a plateia na direção do palco, mesmo não tendo nascido talentoso ou com grande sorte.

