A identificação de sinais no desenvolvimento infantil pode ajudar famílias e profissionais a compreenderem melhor as necessidades de cada criança. O assunto foi discutido pela neuropsicopedagoga Daniele Lopes durante participação no programa Notisul Negócios, onde falou sobre sua trajetória profissional e sobre a importância de um olhar atento para dificuldades que podem aparecer desde os primeiros anos de vida.
Daniele começou a carreira na educação e conta que o interesse pela neuropsicopedagogia surgiu depois de acompanhar de perto casos de crianças que receberam diagnósticos de TDAH. A experiência despertou questionamentos sobre como identificar sinais que podem passar despercebidos no ambiente escolar e levou a profissional a buscar formação na área.
Formada em Pedagogia pela Unisul e com especialização em educação infantil, Daniele mantém a atuação em sala de aula e também realiza atendimentos clínicos. Atualmente, trabalha com crianças da educação infantil no Colégio Legado e atende famílias em seu espaço profissional, localizado no bairro Morrotes, em Tubarão.
Avaliação vai além de um comportamento isolado
Durante a entrevista, a neuropsicopedagoga explicou que as famílias podem chegar ao atendimento por indicação da escola, de profissionais da saúde ou pela própria percepção de que existe alguma dificuldade no desenvolvimento da criança. A avaliação busca compreender a história e diferentes aspectos do desenvolvimento, e não apenas um comportamento específico.
A primeira etapa, segundo Daniele, costuma ser uma conversa com os pais para reunir informações sobre a história da criança. São considerados aspectos como desenvolvimento, gestação, histórico familiar, rotina, sono, alimentação e exposição às telas. A partir dessas informações, são definidas as etapas seguintes da avaliação.
A profissional também destacou que o neuropsicopedagogo não estabelece sozinho um diagnóstico. A avaliação pode apontar uma hipótese e gerar um relatório que será considerado por profissionais médicos responsáveis pela investigação diagnóstica.
Pais e professores precisam observar os sinais
Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação estão dificuldades no desenvolvimento da fala, questões relacionadas à coordenação motora, problemas persistentes na alfabetização, dificuldades em leitura ou matemática e alterações frequentes de comportamento e autorregulação.
Daniele reforçou ainda a importância da relação entre família e escola. Como os professores acompanham a criança diariamente, eles podem perceber dificuldades que merecem atenção e orientar os responsáveis a buscar ajuda profissional.
A neuropsicopedagoga ressaltou, porém, que um comportamento isolado não significa necessariamente a existência de um transtorno. Para chegar a uma hipótese, é necessário avaliar diferentes aspectos do desenvolvimento e compreender o contexto em que aquela dificuldade aparece.
Dificuldades específicas também merecem atenção
Outro tema abordado no Notisul Negócios foi o desempenho escolar. Segundo Daniele, uma criança pode apresentar facilidade em determinadas atividades e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades persistentes em uma área específica.
Ela citou como exemplos a dislexia, a disgrafia e a discalculia, que podem afetar diferentes habilidades de aprendizagem e demandar avaliação e acompanhamento.
A profissional também chamou atenção para a forma como sinais de TDAH e autismo podem se apresentar em meninas. De acordo com a entrevistada, em alguns casos os sinais podem ser menos evidentes, o que contribui para diagnósticos mais tardios.
Para Daniele, o acompanhamento próximo da criança, a comunicação entre família e escola e a busca por avaliação quando existem dificuldades persistentes são importantes para compreender o que está acontecendo e definir os caminhos de acompanhamento.

