O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, veio a público nesta sexta-feira (30) para negar qualquer relação de amizade com o advogado Antônio Alexandre Kale, que atua na defesa de dois adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.
A manifestação ocorreu após a circulação de uma foto nas redes sociais em que Ulisses Gabriel aparece ao lado do advogado, o que gerou comentários e ataques virtuais. Em vídeo divulgado nas redes, o delegado afirmou que a associação é falsa e que a situação tem atingido diretamente seus familiares.
— Não tenho relação de amizade, nem de amizade íntima com o referido advogado. Ele foi delegado de polícia e se aposentou em 2023. A última vez que esteve comigo na Delegacia-Geral foi naquele ano — declarou.
Último contato ocorreu em 2023
Segundo Ulisses Gabriel, o último contato com Antônio Alexandre Kale ocorreu em 28 de fevereiro de 2023, pouco antes da aposentadoria do advogado, que atuava na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Desde então, afirmou não manter qualquer vínculo pessoal ou profissional.
O delegado-geral também destacou que não preside as investigações relacionadas à morte do cão Orelha. De acordo com ele, o caso é conduzido de forma técnica e imparcial pelos delegados Mardjoli Valcareggi e Renan Balbino.
— Sou delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina e não conduzo essa investigação. O trabalho está sendo feito de maneira qualificada pelos delegados responsáveis — afirmou.
Medidas judiciais
Ulisses Gabriel informou ainda que pretende adotar medidas judiciais após a disseminação do que classificou como boatos. Ele afirmou que vai ingressar com uma ação de indenização por danos morais contra um dos responsáveis pela publicação e que registrou boletim de ocorrência por calúnia e difamação.
Segundo o delegado, a repercussão do caso extrapolou o debate público e passou a atingir membros de sua família.
Caso Orelha
A morte do cão Orelha, conhecido como animal comunitário da Praia Brava, gerou grande comoção em Santa Catarina e repercussão nacional. O animal circulava livremente pela região e era cuidado por moradores e frequentadores da praia.
O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura suspeitas de maus-tratos envolvendo dois adolescentes. As investigações seguem em andamento.
Ulisses Gabriel também foi alvo de críticas após adotar o cão Caramelo, outro animal que vivia na mesma região. O delegado afirmou que a adoção foi uma decisão pessoal e que não tem relação com o andamento das investigações.

