quarta-feira, 7 outubro , 2026

Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação também teve como alvo familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como chefe da facção criminosa.

Segundo a investigação, o esquema utilizava uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau (SP) para movimentar recursos da organização criminosa e dificultar o rastreamento do dinheiro. Parte das movimentações financeiras teria passado por contas bancárias ligadas a Deolane.

A prisão ocorreu na residência da influenciadora, em Barueri, na Grande São Paulo. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em outros endereços relacionados a ela.

Operação Vérnix investiga esquema milionário

A chamada Operação Vérnix cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão contra investigados suspeitos de integrar o esquema financeiro da facção.

Entre os presos estão Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha.

Também foram alvos da operação Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder da facção. Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e serão formalmente comunicados sobre as novas ordens judiciais.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.

O advogado Luiz Imparato, que representa Deolane, afirmou que ainda estava tomando conhecimento do caso. A defesa de Marcola também informou que irá analisar o processo.

Investigação começou em 2019

As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material indicava ordens internas do PCC, movimentações financeiras e possíveis ataques planejados contra agentes públicos.

Os investigadores identificaram referências a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar informações para integrantes da facção. A partir disso, a polícia chegou à transportadora Lopes Lemos, considerada uma empresa de fachada utilizada para lavagem de dinheiro.

Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e revelou movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada da empresa. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador da organização, levou os investigadores a identificar supostos repasses financeiros para contas ligadas a Deolane Bezerra e Everton de Souza.

Polícia aponta depósitos fracionados

De acordo com o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento de recursos.

A investigação também aponta cerca de 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, totalizando aproximadamente R$ 716 mil. Segundo os investigadores, os valores teriam origem em uma empresa apresentada como banco de crédito, cujo responsável possui renda incompatível com as operações realizadas.

A polícia afirma ainda que não foram encontrados registros de prestação de serviços advocatícios que justificassem os repasses financeiros identificados nas contas da influenciadora e de suas empresas.

Justiça cita risco de fuga e ocultação de patrimônio

Ao autorizar as prisões preventivas, a Justiça de São Paulo apontou indícios considerados robustos de lavagem de dinheiro, além de risco de destruição de provas, ocultação patrimonial e fuga de investigados que estariam fora do país.

Segundo a decisão judicial, outras medidas cautelares seriam insuficientes diante da estrutura considerada sofisticada da organização investigada.

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