Márcia Leal Weber
Psicóloga Clínica – Terapias Cognitivas
Tenho percebido, ao longo de experiências pessoais e profissionais, de que os referidos termos são observados por muitas pessoas sobre uma mesma ótica. Mas aqui, darei ênfase ao estado de infelicidade. O estado emocional de infelicidade e os quadros depressivos constituem relativamente em diferenças em termos de grau, intensidade e comprometimento biopsicossocioespiritual.
O sentimento de infelicidade não demonstra, por si, a possibilidade de um indivíduo estar passando por um processo depressivo. Embora mereça sempre atenção, por ser dentre tantos outros fatores um dos quais contribui para o desencadeamento do mesmo. Ressalvo que, ambos encontram-se em uma linha tênue, principalmente em relação a “ações” que o estado de infelicidade pode vir a promover. Para um entendimento melhor, não são os eventos que nos perturbam, mas a maneira como pensamos, sentimentos e agimos sobre eles. E a forma como cada pessoa lida com os acontecimentos do seu dia a dia, constitui-se reflexo destes três aspectos sempre interligados. É sobre estes preceitos que a Terapia Cognitivo Comportamental, uma abordagem da psicologia clínica embasa-se para a sua atuação com foco na prevenção, resgate e a manutenção da saúde mental.
Nos dias atuais, com os avanços tecnológicos, o mercado competitivo e a busca desenfreada pelo “ter e o ser” que a sociedade impõe como certo e ideal, não temos tempo para mais nada, além da frenética ideia do alcance de poder, status e conquistas. Tudo isso tem um custo alto quando não sabemos gerenciar nossos pensamentos, emoções e atitudes. E como consequência sofremos de estresse, pressão psicológica e emocional, transtornos ansiosos e depressivos, dentre tantos outros que literalmente tiram o nosso sono, em detrimento do “tenho que” e do “se isso ou aquilo”.
Por este motivo, é importante sempre se autoavaliar, não permitindo tornar-se refém de medos, inseguranças, angustias, rancores, desesperanças, mágoas, tristezas. As emoções são como uma bússola, estão sempre apontando para algo. Mapear a própria vida se faz necessário, nem sempre estamos trilhando o melhor caminho. Reavaliar pensamentos, sondar emoções e monitorar as atitudes diariamente é essencial para a manutenção da saúde mental e qualidade de vida. Questões estas primordiais para o ser humano e as relações que ele estabelece com o meio.
Quando reconhecemos que estamos vivenciando um estado emocional de infelicidade, bem como de que algo precisa ser feito para transformar a realidade, nos tornamos mais dispostos a mudanças.
No entanto, quando a aceitamos e nada fazemos a respeito, não podemos culpar os outros sobre a situação que nos encontramos e o futuro que nos apresenta. Em muitos casos, as pessoas acabam procurando outros meios equivocados de sensação de prazer e felicidade momentânea. Envolvendo-se em abuso de álcool, drogas, sexo, dentre tantas outras situações que apenas agravam a sua condição. Este tipo de comportamento não resolve, apenas mascara a causa.
Assim, cada pessoa é um caso específico e deve ser observada e analisada de uma maneira singular. Ressalvo que apenas um profissional da saúde mental poderá afirmar tal condição, constitui um estado de infelicidade ou um quadro de depressão. Por este motivo, a melhor escolha sempre será, por via das dúvidas, buscar orientação de um profissional habilitado, seja ele psicólogo ou psiquiatra. Cuide de si, da sua alma, do seu bem-estar emocional, psicológico, físico e espiritual.

