quarta-feira, 23 setembro , 2026

Dia da Consciência Negra: Ainda existem barreiras na educação

Karen Novochadlo
Tubarão

Neste sábado, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra. A data é ideal para refletir sobre o papel do negro na sociedade brasileira. Apesar das vitórias sobre o preconceito, ainda existem muitas batalhas a serem vencidas, principalmente nas áreas da educação e do trabalho.

Para o professor Maurício Silva, um dos fundadores do movimento negro em Tubarão, a abolição da escravatura ocorreu em 1888, mas ainda falta abolir o preconceito. “O mercado de trabalho seleciona pela cor da pele”, afirma o professor. A presidenta do Movimento Cultural de Conscientização Negra Tubaronense (Mocnetu), Alaíde Emília Cardoso Corrêa, concorda.
“Acho que vivemos sob a maquiagem da democracia racial. Nós somos uma parte que está atrás de inclusão social. O negro contribuiu para o desenvolvimento do país”, declara.

A secretária do Mocnetum, Lucinara Mina de Oliveira, lembra que é possível contar nos dedos o número de negros que trabalham no comércio de Tubarão, um dos setores mais desenvolvidos do município. O Mocnetu recebe várias denúncias de racismo no mercado de trabalho.
Nos últimos anos, muitas ações afirmativas surgiram no Brasil para garantir direitos aos negros, como os sistemas de cotas e punições severas para casos de racismo. Mas apenas maquiam o preconceito.

Um consenso é que através da educação é possível mudar a sociedade. “ Uma das frentes de trabalho com os afrodescendentes é o incentivo ao estudo”, reporta Maurício. O Mocnetu acredita que através da literatura infanto-juvenil é possível transformar a cabeça dos jovens. “O contexto de muitas obras ridiculariza o negro. Precisamos mudar esta realidade”, alerta Alaíde.

Dia da Consciência Negra
A data escolhida para o dia da Consciência Negra, 20 de novembro, foi o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um escravo que lutou pela liberdade e fundou o Quilombo dos Palmares.

Comunidades negras em Laguna

Três comunidades de Laguna comprovam que a figura do negro sem terra, sem teto e preguiçoso é preconceituosa. As famílias negras concentram a maior parte das propriedades de terras no município em Carreira e Barranca do Siqueiro e Ribeirão da Pescaria Brava, a 25 quilômetros do centro. Alguns terrenos ultrapassam dez hectares.

As áreas são originadas principalmente da compra de terras por escravos libertos. Mais de 100 famílias vivem hoje da agricultura e da economia de subsistência.
O agricultor Artur Custódio Alves, 80 anos, foi um dos empreendedores da região. Adulto, foi trabalhar nas minas de carvão, juntou dinheiro, comprou terras e reuniu com aquelas herdadas dos pais. Os seus seis filhos serão os futuros proprietários. Dois deles ainda vivem no Siqueiro, outros foram embora.
De acordo com a história, estes homens trabalhavam no embarque e desembarque de mercadorias dos navios do Porto de Laguna. Com o dinheiro, muitos compraram terras no interior. Outros vieram de regiões como Imbituba e Criciúma.

Depois do término da escravidão em 1888, ou até mesmo antes, famílias negras migraram para o distrito de Ribeirão da Pescaria Brava para trabalhar no cultivo de mandioca, feijão e cana-de-açúcar. Hoje, as terras são de seus descendentes.
Para a professora de história da Unisul Eugênia Heidemann, os moradores conquistaram independência e sustentabilidade unidos. “Eles são exemplo de comunidade negra que deu certo. São conscientes do seu papel na sociedade e conseguiram se proteger de séculos de discriminação”, explica Heidemann.

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