Carolina Carradore
Tubarão
A privatização da merenda escolar estadual não agradou agricultores da região, que deixam de vender pelo menos 30% da produção. Essa foi uma das principais reivindicações levantadas na 6ª Jornada de Lutas da Agricultura Familiar. O manifesto ocorreu na tarde de ontem, na região central de Tubarão.
Munidos de faixas e cartazes, pelo menos 200 agricultores de 12 cidades do território Serra Mar ganharam as ruas da cidade com gritos de guerra que mostravam a indignação contra a terceirização da merenda e contra a instalação de uma fosfateira em Anitápolis.
Apesar da previsão da geração de pelo menos 423 postos de trabalho, a classe rural quer impedir a instalação da indústria, já que uma barragem será construída no Rio Pinheiros e 247 hectares (equivalente a 350 campos de futebol) de Mata Atlântica serão suprimidos. Para evitar um possível risco de poluição dos rios Tubarão e Braço do Norte, a Embrapa desenvolveu um projeto que visa a transformação de dejetos suínos em fertilizantes.
Trabalhador do campo
quer mais atenção
Os agricultores caminharam pelas ruas de Tubarão até o prédio da Fatma. No local, líderes do movimento apresentaram uma pauta de reivindicações ao gerente da fundação, Rui Bonelli Bittencourt. Na lista, não poderia deixar de constar a indignação contra a privatização da merenda escolar.
O ex-secretário de educação da prefeitura de Gravatal, Ademir Nilo Motta da Silva, é a favor da compra do produto do estado. “Cerca de 30% da agricultura fornece produtos às escolas. Em Gravatal, por exemplo, dos 2,4 mil alunos que consumiam os produtos da terra, apenas 850 permanecem com a mesma alimentação”, observa.
Vale lembrar que a merenda escolar municipal continuará a ser fornecida pelas prefeituras.
Outro projeto citado ontem é o pagamento de pelo menos 30 sacas de milho por hectare reservado. Em contrapartida, o agricultor preservaria a mata nativa.
“Queremos que o estado sancione a lei, pois é uma forma de deixar o trabalhador rural no campo, sem ter que disputar emprego na cidade”, enfatiza a vereadora Arlete Bloermer, representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul).

