Dia 15 de outubro é o Dia do Professor, instituído por decreto de Dom Pedro 1º, em 1827. Nesta data, o magistério confraterniza-se, recebe homenagem, protesta e reflete.
A mensagem do governo federal via TV é emblemática, porque expõe o paradoxo brasileiro, com relação ao professor, razão da persistência das desigualdades sociais. No vídeo, pessoas entrevistadas na Alemanha, Holanda, Coreia do Sul, Finlândia, Espanha, França e Inglaterra respondem, na língua pátria, que “o professor é o profissional responsável pelo desenvolvimento” e finaliza com uma professora brasileira convidando: “Venha construir um Brasil mais desenvolvido, mais justo e com oportunidades para todos. Seja um professor”.
Moral da história: o professor é imprescindível, para o aperfeiçoamento do processo civilizatório, mas, no Brasil, está em falta. De fato, há 300 mil, em todo o país, atuando sem habilitação, e decresceu em 9,3%, entre 2005 e 2008, o número de formandos, segundo o próprio governo federal. Decorrência do desprestigiamento junto à sociedade brasileira, embora esta também reconheça a sua importância.
Os salários continuam baixos, as tecnologias e as novas metodologias de ensino estão ao alcance de poucos, não há carreira profissional pautada no mérito e os alunos e pais, salvo raras exceções, estão cada vez mais descompromissados, indisciplinados e, quando não, violentos. O resultado é conhecido: nossos estudantes figuraram entre os piores nos rankings internacionais (PISA) e demonstram que aprendem cada vez menos, nos nacionais (SAEB),comprometendo os seus próprios futuros e o do Brasil.
A implantação do Piso Nacional de Salários é um avanço, mas isoladamente torna-se insuficiente, para mudar este quadro. É preciso deflagrar um ataque maciço e sincronizado em todos os problemas acima citados.
A facilidade de acesso às informações, as novas formas de produção e de gestão da economia e o avanço do ensino a distância, passaram, num primeiro momento, a impressão que o professor seria dispensável. Não será, desde que se adeque às novas habilidades e competências decorrentes.
O Brasil precisa resolver urgentemente este paradoxo com relação ao professor: considerá-lo importante, mas não conferir-lhe importância. Do contrário, poderá ser uma nação poderosa, mas opressora, porque mais rica (pré-sal), armada (submarino com propulsão nuclear) e deseducada (14 milhões de jovens e adultos são analfabetos e outras milhares de crianças de 7 a 14 anos, não conseguem redigir ou interpretar um simples bilhete, conforme Penad 2008).
Salve – de salvar e de saudar – o professor!, para salvar o conjunto dos brasileiros.

