Primeiro de maio é o dia de homenagear todos que com seu trabalho honesto sustentam a si, suas famílias, constroem países, Estados e municípios e salvam ou facilitam a vida de outras pessoas.
Nada é mais realizador do que ganhar dinheiro com o próprio trabalho digno e honesto. O trabalho enobrece, diz o ditado. O sucesso vem antes do trabalho somente no dicionário, diz outro ditado, para lembrar que ‘nada cai do céu’ e que tudo é resultado do trabalho que, com ferramentas, esforço, métodos e técnicas pode ser menos pesado, mais produtivo e mais rentável.
No entanto, o dia do trabalho ou do trabalhador lembra relação conflituosa entre os homens e a necessidade de se envidar esforços para superá-la.
Lembra e homenageia, por exemplo, os trabalhadores que foram assassinados em 1886, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, quando reivindicavam redução na jornada de trabalho de 13 horas para 8 horas diárias. Lembra que no Brasil, atualmente, 13,7 milhões de pessoas procuraram emprego, segundo o IBGE.
Lembra a tendência de o homem explorar o seu semelhante, por meio do trabalho escravo, para obter lucro. Que ocorre desde a antiguidade Clássica (escravo era todo povo dominado por outro, independente da cor da pele), passando pelos séculos 16 ao 19, onde homens e mulheres negras foram arrastados da África para serem escravizados nas Américas (no Brasil durou de 1530 a 1888), até os dias atuais, de duas formas. A legal, por meio da imposição de carga tributária maior aos mais pobres ( quem ganha até dois salários mínimos fica ao redor de 53,9%, em comparação a 29% pagos por quem ganha mais de 30 salários mínimos” ) e da destinação de recursos para o Ensino Básico, quatro vezes menor que para o Superior (Na Prova Brasil 2015, apenas 30% dos alunos que concluíram o Ensino Fundamental nas escolas públicas “aprenderam o adequado” em Português e, 14 %, em Matemática); e a forma clandestina, onde o tráfico de pessoas rende fortuna de US$ 32 milhões anuais, segundo a ONU.
Lembra que ‘o trabalho análogo ao trabalho escravo’ só não foi legalizado no Brasil, por meio da Portaria Nº 1.129/2017, do Ministério do Trabalho, devido à intensa pressão, inclusive internacional e que a Reforma Trabalhista recebeu protestos, inclusive da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, que levou, este ano, para a Avenida os 130 anos da Lei Áurea e perguntou: “a escravidão acabou mesmo no Brasil?”.
Para Thomas Pikkety, autor de “O Capital no Século 21”, o ‘Brasil não cresce se não reduzir sua desigualdade’. E isso se faz por meio de Educação de qualidade para todos, principalmente, nestes tempos de indústria 4.0.
Que o Dia do Trabalhador sirva, também, para reflexão sobre como melhorar as relações de trabalho e torná-las produtivas e rentáveis para todos.

