Thiago e Douglas enfrentam os desafios do relacionamento e as dificuldades do preconceito com a homossexualidade.
Priscila Ladislau
Tubarão
Histórias de amor são sempre temas de contos de fadas e comédias-românticas, mas a maioria delas conta a jornada de um homem e uma mulher. Homens que se apaixonam por homens ou mulheres que amam outras mulheres raramente têm espaço. Mas os tempos mudaram… E como diz a música de Lulu Santos, consideramos justa toda forma de amor. E em toda boa história sempre ocorrem encontros e desencontros. Com o casal Thiago Paes Corrêa, 38 anos, e Douglas da Silva Cardoso, 28 anos, não foi diferente. Cirurgião-dentista e decorador, respectivamente, profissionais bem-sucedidos que se encontraram e hoje vivem o amor sem obstáculos.
O namoro iniciou em 29 de março de 2015, oito meses depois estavam morando juntos e, principalmente, crescendo juntos. Porém, a felicidade não era completa. A família de Douglas sempre soube e o apoiava em relação à orientação sexual. Já a do cirurgião-dentista, não sabia. Depois de uma longa conversa com os pais, explicações, o respeito falou mais alto e a família também aceitou a decisão do filho. “Felicidade pra mim era ele, eu não podia esconder a minha felicidade”, desabafa Thiago.
Após as famílias conviverem mais, o respeito e o afeto só aumentaram. “Tivemos muita sorte de termos nos encontrado, a família do Thiago é um presente pra mim. Nós já tínhamos nos aceitado, só faltávamos nos permitir viver esta história”, lembra Douglas.
Nem sempre foi fácil
Mas nem sempre foi fácil a vida do casal. Durante a adolescência, Douglas sofreu muito preconceito. No colégio era xingado, humilhado com palavras de baixo calão por sua orientação sexual. “Até o terceiro ano do ensino médio foi muito difícil. Eu vivia chorando, trancado no quarto, alguns professores me obrigavam a jogar futebol porque era “algo de menino”. Foi uma das piores fases da minha vida”, relata Douglas.
Medo de preconceitos ainda ronda o casal
Mesmo com as famílias aceitando o relacionamento, o medo ainda ronda o casal. Medo da intolerância, do preconceito e principalmente de agressões físicas. “Nós não andamos de mão dadas pela rua. Temos medo de sermos xingados, alguém agredir, principalmente porque muitas pessoas ainda condenam o nosso namoro. Nossa ideia nunca foi ser exemplo, nossa relação é igual a de um casal hétero, a gente briga, diverte-se, estamos nessa vida para sermos felizes”, enfatiza Thiago. Enfrentando os preconceitos e julgamentos muitas vezes impostos pela sociedade, ambos lutam juntos e demonstram que a vida é para ser vivida com amor, amizade, companheirismo e superação de qualquer discriminação.

