quarta-feira, 7 outubro , 2026

Diamante começa a preparar futuro de Jorge Lacerda para o período após 2040

FOTO Diamante Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 5 minutos

A Diamante Energia intensifica os estudos sobre o futuro do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, diante do horizonte estabelecido para a atual cadeia de geração a carvão. O planejamento considera alternativas capazes de preservar a geração de energia, aproveitar a infraestrutura existente e manter a atividade econômica associada ao complexo depois de 2040.

O tema vem sendo apresentado pela empresa em reuniões com empresários, representantes de entidades e lideranças do Sul de Santa Catarina. Os encontros fazem parte de uma estratégia de diálogo sobre o futuro energético da região e os caminhos possíveis para uma transição que considere também empregos, investimentos e desenvolvimento econômico.

O presidente da Diamante Energia, Pedro Litsek, tem participado desse processo de apresentação dos estudos e das perspectivas da companhia.

A preocupação central é começar agora um planejamento que exige decisões de longo prazo.

“Quinze anos não é nada. Se você não começa a planejar hoje, vai chegar em 2040 e não vai ter opções para esse terreno”, destacou Litsek durante uma das apresentações.

Complexo tem papel estratégico na economia regional

O Complexo Termelétrico Jorge Lacerda ocupa uma área de aproximadamente 3 milhões de metros quadrados e reúne características consideradas estratégicas pela empresa.

Além das unidades de geração, o local possui conexão com o sistema elétrico, disponibilidade de água, acesso rodoviário e ferroviário e uma estrutura consolidada ao longo de décadas.

Outro ativo considerado fundamental é a mão de obra especializada existente na região.

De acordo com dados apresentados pela Diamante, aproximadamente mil trabalhadores circulam diariamente pelo complexo quando considerados funcionários próprios, terceirizados e profissionais mobilizados para serviços de manutenção e revisão das unidades.

A cadeia relacionada ao carvão, envolvendo mineração, transporte ferroviário e geração de energia, responde por cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos e alcança dezenas de municípios.

Em algumas cidades do Sul catarinense, a atividade possui participação significativa na economia local.

Contrato estabelece horizonte até 2040

O planejamento ocorre dentro do processo de transição energética previsto para Santa Catarina.

A Lei nº 14.299, sancionada em 2022, instituiu o Programa de Transição Energética Justa para a região carbonífera catarinense e criou condições para a continuidade da atividade do Complexo Jorge Lacerda dentro desse período de transição.

A Diamante passou os últimos anos trabalhando na estrutura necessária para assegurar a continuidade da operação e, ao mesmo tempo, iniciar a discussão sobre o que poderá substituir ou complementar as atividades atuais no futuro.

Para Pedro Litsek, o horizonte de 2040 exige planejamento antecipado porque projetos de geração de energia normalmente envolvem estudos, licenciamento, contratação, financiamento e construção, etapas que podem consumir vários anos.

Idade das unidades também entra no planejamento

Outro aspecto analisado pela empresa é a própria vida útil dos equipamentos atualmente instalados.

Algumas unidades do Complexo Jorge Lacerda operam há cerca de seis décadas e acumulam centenas de milhares de horas de funcionamento.

Isso significa que a discussão sobre o futuro não está limitada ao prazo contratual da atual atividade. Há também uma questão técnica relacionada ao envelhecimento dos equipamentos e à necessidade de definir qual infraestrutura energética poderá ocupar o espaço nas próximas décadas.

A avaliação da companhia é de que esse debate precisa ocorrer enquanto o complexo ainda está em plena operação.

Diamante estuda diferentes caminhos

Diamante Energia Pecém
Diamante Energia adquiriu duas unidades geradoras em Pecem – FOTO Diamante Energia Divulgação Notisul

A empresa trabalha com diferentes alternativas para aproveitar a estrutura existente em Capivari de Baixo.

Os estudos consideram aspectos como segurança energética, disponibilidade de combustível, capacidade de conexão ao sistema elétrico, impactos ambientais, viabilidade econômica e manutenção da atividade industrial.

Entre os objetivos está encontrar soluções que permitam aproveitar a estrutura já implantada e preservar a posição estratégica do Sul catarinense na geração de energia.

A companhia também desenvolve projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à transição energética, ao reaproveitamento de resíduos e à redução de emissões.

Um deles envolve o aproveitamento das cinzas resultantes da geração a carvão para a produção de zeólitas, material que pode ter aplicações ambientais e agrícolas. Outro trabalho está ligado ao aproveitamento de biomassas e à utilização de novas fontes energéticas em projetos experimentais.

Segurança energética ganha importância

A discussão também ocorre em um momento de transformação acelerada do sistema elétrico brasileiro.

O crescimento da geração solar e eólica aumentou a participação das fontes renováveis, mas também ampliou a necessidade de fontes capazes de fornecer energia continuamente quando as condições climáticas mudam.

Segundo a Diamante, o Brasil possui uma matriz elétrica com participação renovável muito superior à média mundial. Ao mesmo tempo, a expansão das fontes intermitentes exige maior flexibilidade e segurança do sistema.

A companhia defende que a Região Sul também precisa ampliar sua capacidade própria de geração, reduzindo a dependência da energia transportada de outras regiões do país.

Reuniões buscam ampliar diálogo regional

A Diamante tem levado essas discussões a entidades empresariais, instituições públicas e lideranças regionais. As apresentações procuram explicar o estágio dos estudos e mostrar que as decisões relacionadas ao período posterior a 2040 precisam ser construídas com antecedência.

A companhia também considera importante que a região participe desse processo diante do impacto econômico representado pelo Complexo Jorge Lacerda e por toda a cadeia do carvão.

A preocupação envolve não apenas a produção de energia, mas também o destino da mão de obra, das empresas fornecedoras e dos municípios que possuem parte importante de sua economia vinculada à atividade.

O desafio colocado pela Diamante é construir, ao longo dos próximos anos, uma alternativa capaz de combinar segurança energética, desenvolvimento regional e uma transição econômica sustentável para o Sul de Santa Catarina.

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