No dia 7 de setembro, o Brasil comemora 189 anos de independência política. Na recente história do nosso país, diversas manifestações, oficiais ou não, revelam os diferentes momentos da sociedade brasileira.
Nos anos 60, ainda sob os efeitos do populismo de Getúlio, Juscelino e Jânio, as festividades restringiam-se, quase que exclusivamente, aos desfiles cívicos e militares, numa demonstração de puro patriotismo. “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”, – trecho do Hino à Independência – parecia ser o sentimento dominante.
Nos anos 70 e 80, sob a égide da ditadura militar, que anunciava o Milagre Brasileiro, paralelamente aos desfiles oficiais, registraram-se protestos contra a truculência do regime e, contra o “entreguismo do Brasil aos estrangeiros” – via agravamento da dívida externa – e contra o arrocho salarial. Faixas, cartazes e pichações de muros e paredes insultavam o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os Estados Unidos da América.
No início da década de 90, com o fim da ditadura e com a cidadania, em parte resgatada pela promulgação da Constituição cidadã, junto à devolução das prerrogativas dos civis para elegerem o presidente da república, as manifestações extraoficiais foram atenuadas. A partir deste período, a manifestação mais expressiva é o “Grito dos Excluídos”. Uma forma de denunciar o redirecionamento político da economia que, ao substituir, praticamente em todo o mundo, o estado de bem-estar social pela força do mercado, gera exclusão em escala crescente.
Do grito do Ipiranga ao Grito dos Excluídos, muito se avançou, principalmente no que se refere às liberdades individuais e coletivas e à melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, mas muito se precisa, ainda, progredir, o que dificilmente acontecerá enquanto se mantiverem frágeis as bases educacionais e éticas.
Por outro lado, os gritos são absolutamente necessários para denunciar, mas, isolados, são insuficientes para fazer avançar. É preciso, também, anunciar e cobrar as mudanças, principalmente na educação, na gestão, nos padrões éticos e na escolha e acompanhamento de nossos representantes na esfera pública.
O dia 7 de setembro é uma ocasião especial – embora todos devessem sê-lo – para que todos, rigorosamente todos, assumam ou renovem os compromissos por um Brasil melhor para todos.
Comecemos com as mudanças acima citadas.

