sábado, 26 setembro , 2026

Documentarista uruguaio lança filme sobre Chapecoense

Chapecó

Há dois anos, torcedores acompanhavam o pequeno time de Chapecó, em Santa Catarina, que subia da série D à A do futebol brasileiro, e também vibraram com a chegada do clube à final da Copa Sul-Americana. Mas em 29 de novembro de 2016, veio a surpresa e junto a tragédia: o avião que levava a equipe para Medellín, na Colômbia, caiu. Apenas seis pessoas sobreviveram. Foram 71 mortos e o episódio marcou para sempre a história do clube.

O uruguaio Luis Ara Hermida, de 38 anos, documentarista e aficionado por esporte, acompanhou a trajetória, ascensão e tragédia da “Chape”. Consternado com o acidente e impressionado com a recuperação do clube, ele decidiu contar a história no cinema.

As gravações de Para Sempre Chape começaram, seis meses após a tragédia, com gravações no Brasil e na Colômbia. O documentário, que estreou em algumas cidades brasileiras, em breve estará disponível no Netflix no Brasil. O filme tem uma hora e 14 minutos de duração, créditos e a maior parte dos relatos em português, além de depoimentos de sobreviventes.

O Documentário

O documentarista ressaltando que focou na trajetória do clube, que passa pela queda do avião e segue pela reconstrução do time, capaz de dar felicidade e alegria aos torcedores. 

Luis falou como surgiu a ideia de filmar a história da equipe. “Eu me impressionava que um pequeno clube do Brasil, sem ser muito conhecido, estivesse chegando à final da Copa Sul-Americana. Havia me tornado um torcedor, queria que ganhassem a final. Quando aconteceu a tragédia, eu me afligi e fiquei intrigado com o que podia acontecer: um time em que morreram seus dirigentes e atletas. Quando vi que começaram a receber ajuda de diferentes partes do mundo e de distintos clubes e pessoas, isso me chamou a atenção a capacidade de resiliência, de reconstrução, da força que tiveram para seguir adiante. Percebi que uma das grandes motivações era o povo da cidade. É o único time de Chapecó. Motivo de orgulho em que os meninos projetam seus ídolos. Isso me pareceu muito lindo de contar. Para devolver o sorriso ao povo, eles, da Chape, decidiram continuar”, explicou. 

O documentarista ainda disse que o enfoque não é a tragédia da equipe. “Decidimos que não iríamos dar enfoque à tragédia. Em primeiro lugar, porque não me interessa e, em segundo lugar, porque todo mundo viu. A respeito das causas do acidente, isso corresponde à Justiça e eu não queria fazer um documentário de investigação. Eu queria fazer um documentário humano. Decidimos que contaríamos a história do time, obviamente o acidente é parte da história e a reconstrução”.

O documentário foi filmado em três países diferentes com o intuito de mostrar as várias etapas da reconstrução do clube Condá. “Para contar a história, fui a Chapecó. A tragédia e a conexão, que isso gera com o clube e que dispara todo esse vínculo da comunidade internacional com Chapecó, foram gravadas em Medellín [Colômbia]. Medellín devolveu a Chapecó uma série de coisas: o primeiro que fizeram foi dar-lhes a taça de campeões. A reconstrução do clube foi filmada novamente em Chapecó, com as pessoas de agora, novos funcionários do clube. E na Espanha, em Barcelona, gravamos porque era o momento em que voltava a jogar Alan Ruschel, uma das vítimas que sobreviveu. Era o final deste simbolismo, de voltar a nascer”, contou o cineasta.

Luis Ara Hermida ainda comentou o maior desafio das filmagens. “O mais complexo talvez tenha sido a parte emocional. Uma das situações que mais me comoveram foi conversar com Sirlei Freitas, a viúva de Cléberson Silva, que era o assessor de imprensa da Chapecoense. Ela é mãe de dois filhos, que têm a idade das minhas filhas, e eu não pude evitar, ao longo de toda a entrevista, de me colocar em seu lugar e também imaginar a minha casa sem a minha presença. Isso me fez ir a um lugar que me gerou muita sensibilidade. Uma mulher muito jovem e me emocionou ver como ela seguiu em frente, como lembrava de seu marido, como ensinava seus filhos”, falou emocionado.

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