Nos últimos anos, até 2012, passou-se a falar sobre desfiles de Carnaval em Tubarão, só depois do Natal, restando, como fonte financiadora, os combalidos cofres públicos, que, há muito tempo, não cumprem os compromissos constitucionais com os concidadãos, principalmente, os relacionados à saúde, educação, segurança, etc.
O problema é que após a mencionada data, nada mais se fala em época alguma. Em 2013 e 2014 não teve (e em 2015 não terá) desfile carnavalesco nas ruas de Tubarão.
Cobro anualmente, desde 1994, da tribuna da câmara de vereadores e, posteriormente, neste espaço, por meio de artigos, que a prefeitura de Tubarão faça com o Carnaval o que a Pastoral Afro Maria Cândida fez para realizar a Zumbiafro 2013.
Uma comissão trabalhou voluntariamente o ano todo e, com a participação do comércio e da imprensa local, acolheu, por um dia, cerca de mil pessoas, 16 grupos de dança de diversos municípios, feira de livros, palestras, distribuiu troféus de participação e de homenagens, café e almoço para todos, sem gastar um único centavo público.
É evidente que isto demandou projetos, credibilidade para agregar pessoas e coragem para repelir aproveitadores.
A prefeitura poderia fazer melhor com relação ao Carnaval: motivar, organizar e ceder espaços para que as Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos realizem promoções durante o ano e busquem recursos e patrocínios. Tubarão tem, desde 1999, além de outras fontes, a lei municipal que “cria incentivos fiscais destinados a financiar projetos culturais”.
É o que determina o sucesso de outras cidades: tão logo se proclamem os vencedores do Carnaval de um ano, iniciam-se os preparativos para o ano seguinte.
Os desfiles carnavalescos, que sempre atraíram milhares de tubaronenses para a avenida, não se resumem à beleza plástica da ginga dos corpos, do ritmo dançante das baterias, das fantasias e alegorias. Fazem para resgatar e contar na avenida, de forma indisciplinar, após profunda pesquisa, os mais diversos temas, histórias e culturas.
Também aquecem o comércio local, tantos são os apetrechos para colocar uma escola ou bloco na rua e, se funcionarem o ano todo, como se propõe, geram emprego e renda e estimulam a vida comunitária, a disciplina e a solidariedade.
Quantas homenagens, quanto de cultura, de história, de entretenimento, de organização comunitária e de oportunidades de negócios também o Carnaval de Tubarão poderia continuar proporcionando por meio dos desfiles das Escolas e Blocos Carnavalescos?
A recente história dos desfiles carnavalescos de nossa cidade pode ser reescrita, já em 2016, se começar já, com inspiração, inclusive, no que já se fez de melhor por aqui.

