Maurício da Silva
Professor e mestre em Educação
É urgente redistribuir os recursos da Educação e reescrever a escola brasileira ou todo o dinheiro do mundo não salvará o ensino, nem o Brasil.
A vida pública brasileira faliu. Cresce o caos na segurança, educação, saúde, infraestrutura etc., mas não há como aumentar impostos para saneá-los. Os brasileiros já trabalham cinco meses do ano para isso.
A reversão se faz por meio da transformação de pessoas que precisam de ajuda em pessoas que podem ajudar. Possível, por meio do fortalecimento da Educação Básica.
No entanto, o Brasil investe quatro vezes menos nesta etapa do Ensino do que no Superior, o que contribui para mantê-la frágil (dos alunos que concluem o Ensino Fundamental, 70% não “aprendem o adequado” em Português e 86% em Matemática, de acordo com a Prova Brasil 2015).
Estes milhares de alunos, majoritariamente pobres, terão dificuldades para prosseguirem nos estudos (principal causa da tragédia no Ensino Médio), acessarem e/ou permanecerem no mercado de trabalho ( que exige constante qualificação e ética), e serão potenciais vítimas ou autores da crescente violência (a cada 1% de aumento dos adolescentes, de 15 a 17 anos, na escola, os homicídios registrados em um município caem 5,8%, revela pesquisa do Ipea e FGV).
A sociedade não recebe retorno pelos investimentos que faz neles, desde antes do nascimento (exame pré-natal, alimentação, vestuário, calçado, remédio, teto, escola etc.), paga impostos, cada vez maiores, para mantê-los encarcerados (são 726 mil detidos ao custo de R$ 21mil anuais cada) e perde R$ 550 mil para cada um deles assassinado (foram 62.517 em 2016) ou R$ 450 bilhões, entre 1996 e 2015, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal. Impossível não quebrar.
No entanto, apenas mais dinheiro para Educação Básica não garante melhoria. Segundo o IDados, entre 2007 e 2016, o investimento dos estados subiu, em média, 32% e dos municípios, 66%, mas melhoraram a infraestrutura e os salários, não a aprendizagem.
É preciso, também: 1) Garantir Educação Infantil para todas as crianças (crucial para o sucesso nas etapas posteriores da escolaridade); 2) Capacitar e acompanhar os professores para que ensinem – na diversidade (alunos desfavorecidos e com atrasos de aprendizagem foram incluídos no sistema de ensino) – as “competências socioemocionais” e “os direito de aprendizagem e desenvolvimento” (nova BNCC), por meio, respectivamente, de atitudes e da Resolução de Problemas; 3) Em decorrência, reformular os fundamentos didáticos pedagógicos (avaliação, planejamento, metodologia etc.); 4) Focar o Diretor de Escola no Pedagógico; 5) Orientar e/ou acionar as famílias para que ajudem na construção dos resultados escolares dos filhos em vez de apenas conhecê-los no final dos períodos letivos: 6) Instituir disciplina, esforço e reforço nas atividades docente, discente e familiares; 7) Medir os indicadores educacionais (rendimento, evasão, repetência, faltas dos alunos e dos professores etc.) e intervir rapidamente diante de descontrole, e, 8) Reconhecer os que se superam.