Maria Julia Goulart
Tubarão
A dança aliada à educação. Há seis meses, estudantes da Escola Faustina da Luz Patrício, localizada no conhecido Morro da Caixa D’água, em Tubarão, realizam o projeto piloto em parceria com Ong Moradia e Cidadania, que trabalha com aulas de biodanza, ou seja, praticam a “dança da vida”.
Os alunos aliam vivência, reflexões, dança e muitos outros elementos que fazem com que as crianças desenvolvam um nível maior de consciência e respeito ao próximo. O sócio educador do projeto, André Luis Soares Simoni, é formado em biodanza e ministra as aulas para os alunos. Segundo André, o trabalho busca tratar questões amplas contextualizadas com a realidade local. “Buscamos acontecimentos nacionais e aí adaptamos para a realidade das crianças. Além da dança, buscamos ensinar questões como ciências, história, entre outros temas de uma maneira diferenciada”, explica.
Esta forma diferenciada de ministrar os conhecimentos está ligada ao conceito biocêntrico. As aulas trabalham com recursos de imagem, audiovisual, está diretamente ligada ao folclore e entre os principais objetivos está em disseminar o afeto. “Dentro de todas as temáticas que abordamos, buscamos trabalhar diretamente com as relações de amizade, estreitar os laços. Quando iniciamos o projeto era complicado deixar todos os estudantes em roda calmos. Hoje em dia, conseguimos isto sem muito esforço”, revela.
Estudantes de toda a escola participam do projeto. A aluna Letícia de Oliveira Duarte resume que o projeto é muito interessante. “É muito legal poder participar das aulas de biodanza. É um projeto divertido, que contagia”, afirma.
Folclore é debatido
Nestes primeiros seis meses, a biodanza trabalha diretamente com aspectos do folclore brasileiro. Um dos trabalhos realizados pelos estudantes envolve a conhecida história do boi de mamão, porém, contada de forma diferente. “Buscamos dar outra linguagem a esta manifestação folclórica e aproximar com o que está ao redor da nossa escola”, relata André.
A história envolve um auto (folguedo) em tom cômico, mas sempre com um elemento central dramático: a morte e a ressurreição do boi. A festa do boi de mamão envolve dança e cantoria em torno do tema épico. A brincadeira é encontrada em todo o território nacional. Para dar caráter diferenciado à encenação, os estudantes da Escola Faustina da Luz Patrício, em Tubarão, trouxeram um pouco do significado da instituição. Faustina tornou-se uma das personagens do enredo e visa explicar como surgiu o nome da escola. “Ela era uma merendeira da escola e por isso o nome da escola é este. Assim, retratamos um pouco da nossa história”, conta André. O nome do boi também homenageia uma personalidade local. O famoso Zé do Boi, morador conhecido no “Beco do Bejo”. Além disso, enquanto há o falecimento do boi ensina-se um pouco sobre o perigo da água poluída e os benefícios de consumir água pura.
Encontro de educação Biocêntrica
O 5° Encontro de Ação Social e Biondanza e o 2° Encontro de Educação Biocêntrica do Sul ocorre em Gravatal, a partir da próxima quinta-feira, e prossegue até o dia 22 de setembro. O evento busca desenvolver uma integração com estudantes da área, educadores sociais, profissionais da área da saúde e público em geral.
A ação possibilita uma rede afetiva entre os participantes que realizam durante os três dias, trocas de experiências, momentos reflexivos e participação em dinâmicas. O objetivo é de trabalhar a centralidade em uma ética preservativa em respeito à vida.
O encontro realiza uma série de atividades com embasamento na prática pedagógica da metodologia da educação biocêntrica, que propõe um novo estilo de vida em busca da integração do ser humano com o universo. O evento conta com uma diversidade de rodas de diálogos e círculos culturais, além de palestras.

