O El Niño em Santa Catarina deve começar a dar sinais já em julho, segundo meteorologistas. O fenômeno climático, que se forma no Oceano Pacífico, tende a provocar um inverno mais chuvoso e temperaturas acima da média, além de um verão com ondas de calor mais frequentes no estado.
A previsão indica que o El Niño ganhará força na primavera, com impactos mais intensos no Sul do Brasil entre outubro e novembro. Especialistas apontam que o fenômeno está se desenvolvendo de forma mais acelerada neste ano.
Fenômeno deve influenciar clima já no inverno
De acordo com o gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico Rudorff, há alta probabilidade de o evento ser forte.
“As águas do Pacífico Equatorial têm aquecido de forma bastante acelerada. Temos uma confiança muito grande de que será um El Niño forte e cerca de 25% de chance de ser muito forte”, afirmou.
Com isso, a tendência é de aumento no volume e na frequência das chuvas já durante o inverno. Além disso, as temperaturas devem ficar acima da média, com menor presença de massas de ar frio.
Verão pode ter ondas de calor e impactos na saúde
Para o verão, a previsão aponta calor intenso e maior ocorrência de ondas de calor. A combinação de altas temperaturas e umidade também pode favorecer o aumento de casos de dengue.
Segundo especialistas, o El Niño altera a circulação da atmosfera, interfere na formação de nuvens e muda a distribuição das chuvas. Em Santa Catarina, isso normalmente resulta em períodos mais chuvosos e quentes.
Risco de enchentes aumenta, mas não é único fator
Apesar da previsão de mais chuva, a Defesa Civil alerta que o El Niño não é o único responsável por enchentes. Eventos extremos já ocorreram em anos de La Niña, como em 2008 e 2011.
Ainda assim, o cenário exige atenção.
“Com mais chuva, cresce a chance de inundações no estado”, disse Rudorff.
O histórico recente reforça o alerta. O último episódio do fenômeno, entre 2023 e 2024, trouxe impactos significativos para Santa Catarina.
O que é o El Niño e por que ele importa
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento de pelo menos 0,5°C nas águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele ocorre, em média, a cada dois a sete anos.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e impacta o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos são desiguais: o Sul tende a registrar mais chuvas, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca.
Além disso, episódios de El Niño costumam elevar a temperatura média global, somando-se aos efeitos do aquecimento climático.
Previsão internacional indica desenvolvimento nos próximos meses
Um boletim divulgado em abril pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, aponta que o fenômeno deve se desenvolver entre maio e julho, com intensificação ao longo dos meses seguintes.
A entidade ressalta que previsões nesse período ainda têm limitações e que a confiança nos modelos aumenta ao longo do ano.
Também destaca que termos como “super El Niño” não fazem parte da nomenclatura oficial, embora eventos mais intensos possam ocorrer.

