Laércio Menegaz Júnior
Diretor da Menegaz Jr. – Membro da Associação Brasileira de Consultores Políticos do Brasil (ABCOP)
Com a atual crise política, o candidato que não trabalhar com a transparência pode se considerar uma peça fora do tabuleiro nas eleições deste ano. Novas tecnologias de comunicação ampliaram, nos últimos anos, a capacidade do cidadão de interagir com as instituições democráticas. E-mails lotam as caixas postais virtuais de parlamentares com cobranças, sugestões, conselhos e observações sobre os mais diferentes assuntos. Todos os dias, deputados federais são chamados a responder aos seus eleitores por seus atos, omissões ou palavras. A tendência da cobrança ao legislador não é nova.
Quatro meses após o escândalo envolvendo o uso indevido de dados de 87 milhões de usuários do Facebook pela consultoria política Cambridge Analytica – a mesma que atuou na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2016 -, a rede social contabiliza alguns esforços que visam a renovar sua confiança e reputação entre os mais de dois bilhões de usuários mundo afora. Parte deste trabalho incluiu a revisão de aplicativos terceiros, políticas de privacidade, além de recursos que pretendem jogar mais luz ao negócio de publicidade da empresa, que também detém o WhatsApp e o Instagram.
O Facebook atingiu, recentemente, no Brasil a marca de 127 milhões de usuários ativos mensais. Com isso, teremos um desafio particular em um horizonte próximo: as eleições 2018. Informações do próprio Facebook: o país tornou-se um de seus cinco maiores mercados. Dada à grande penetração na sociedade brasileira, a empresa tem adiantado alguns recursos para conter o alcance das fake news, disseminação de contas falsas e ainda políticas mais claras para a publicação de propaganda eleitoral.
Para o mercado brasileiro, o mais novo anúncio da rede social foi feito nesta semana: um recurso que classificará os anúncios políticos. O Brasil é o segundo país do mundo onde o Facebook lançará marcações que informarão quem pagou pelos anúncios relacionados à política. A habilidade estará disponível a partir do próximo dia 16 – data que marca o início da campanha eleitoral no país. Anúncios pagos por campanhas de candidatos, por exemplo, virão com a tag (#) “propaganda eleitoral”. Aqueles publicados por candidatos mostrarão o CPF dele, assim como a legenda à qual é filiado. Já os anúncios de partidos vão conter o CNPJ da agremiação.
Vejo a questão como uma ótima iniciativa, já que a rede busca conectar pessoas ao redor do mundo, o que enseja grande responsabilidade.
Os candidatos que desejarem fazer posts patrocinados na rede social, como parte da campanha nas eleições de 2018, já podem se cadastrar na plataforma.

